Agro

Abate de gado ultrapassa 10 milhões de cabeças no 1º trimestre

16 jun 2026 às 13:29

O volume de abates de bovinos, suínos e frangos no Brasil registrou o melhor desempenho para um primeiro trimestre em toda a série histórica, iniciada em 1997. De acordo com dados das Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, divulgados nesta terça-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor pecuário nacional apresentou forte crescimento estrutural na comparação com o mesmo período do ano anterior, consolidando a robustez da cadeia de proteína animal.


No primeiro trimestre de 2026, os estabelecimentos industriais sob algum tipo de inspeção sanitária (federal, estadual ou municipal) abateram 10,29 milhões de cabeças de bovinos. O número representa uma alta de 3,3% em comparação com os três primeiros meses de 2025. Na comparação trimestral imediata, frente ao quarto trimestre do ano passado, o setor registrou uma redução sazonal de 6,9%.


A produção totalizou 2,63 milhões de toneladas de carcaças bovinas no período, volume 5,1% maior do que o produzido no mesmo intervalo de 2025. Na comparação com os três meses imediatamente anteriores, a queda foi de 10,3%.


Alta no descarte de fêmeas impulsiona setor bovino


O gerente de Pecuária do IBGE, Octávio Oliveira, explicou que o período foi marcado pelo avanço expressivo do abate de fêmeas, cuja participação no total de cabeças atingiu o recorde de 49,9%. Segundo o especialista, o comportamento sinaliza a retomada do crescimento do descarte de matrizes no mercado de gado, após dois trimestres consecutivos de queda.


Entre as Unidades da Federação, o estado de Mato Grosso mantém a liderança nacional na atividade de pecuária bovina, sendo responsável por 17,5% do total de abates do país. São Paulo aparece na segunda posição com 11,6%, seguido por Goiás (9,2%) e Pará (9,1%).


Suinocultura e avicultura mantêm expansão


A atividade de suinocultura também registrou desempenho histórico para um primeiro trimestre, com 15,27 milhões de cabeças de suínos abatidas. O resultado indica um avanço de 5,5% em relação ao trimestre equivalente de 2025 e estabilidade frente ao período imediatamente anterior (-0,1%). O peso acumulado das carcaças de suínos somou 1,43 milhão de toneladas, um aumento anual de 6,9%.


Santa Catarina continua como o principal polo produtor de suínos do Brasil, concentrando 28,1% da participação nacional. O estado sulista é seguido pelo Paraná, que detém 20,9% da atividade, e pelo Rio Grande do Sul, com 17,8%.


No segmento de avicultura, o abate de frangos somou 1,71 bilhão de cabeças nos primeiros três meses de 2026. O montante supera em 3,6% o obtido no primeiro trimestre do ano passado, embora represente uma queda de 0,5% na comparação com o quarto trimestre de 2025. O peso acumulado das carcaças de frango atingiu 3,73 milhões de toneladas, o que significa um acréscimo de 6,9% na comparação anual.


O Paraná lidera a produção avícola no país, respondendo de forma isolada por 35,0% do total nacional. Santa Catarina ocupa a segunda posição com 13,3%, o Rio Grande do Sul soma 11,8% e São Paulo fecha a lista dos principais estados produtores com 10,9%.


Captação de leite bate recorde e preço ao produtor cai


A aquisição de leite cru feita por estabelecimentos industriais atuantes sob inspeção sanitária somou 6,78 bilhões de litros no primeiro trimestre de 2026. O volume é o maior já registrado para o período em toda a série histórica do IBGE, representando um avanço de 2,6% frente ao primeiro trimestre de 2025. Em relação ao quarto trimestre do ano anterior, houve recuo de 8,0%.


O Paraná registrou o maior aumento absoluto no volume de captação de leite cru, com um acréscimo de 88,74 milhões de litros. O Rio Grande do Sul avançou 60,24 milhões de litros, seguido por Santa Catarina (+44,56 milhões), Minas Gerais (+26,63 milhões) e Ceará (+12,76 milhões).


Apesar do volume recorde coletado pela indústria, o preço líquido médio pago aos produtores rurais ficou em R$ 2,24 por litro, valor 18,8% inferior ao praticado no primeiro trimestre de 2025. Conforme informou o gerente do IBGE, o valor apresentou uma tendência de valorização ao longo dos meses do trimestre, subindo de R$ 2,10 em janeiro para R$ 2,44 em março.


Produção de ovos cresce e mercado de couro apresenta estabilidade


A avicultura de postura registrou a produção de 1,21 bilhão de dúzias de ovos de galinha entre janeiro e março de 2026. O resultado demonstra um incremento de 0,4% em comparação ao mesmo intervalo de 2025, embora tenha apresentado retração de 3,5% frente ao quarto trimestre do ano passado.


O estado de São Paulo lidera a atividade de postura no Brasil, concentrando 24,6% da produção nacional de ovos. Minas Gerais ocupa o segundo posto com 10,2%, o Paraná soma 9,8% e o Espírito Santo responde por 7,9% do total.


Os curtumes investigados pela Pesquisa Trimestral do Couro, que processam pelo menos 5.000 unidades inteiras de couro cru bovino por ano, declararam o recebimento de 10,75 milhões de peças inteiras no primeiro trimestre de 2026. O montante representa estabilidade na comparação anual e queda de 3,3% frente ao trimestre imediatamente anterior.


Goiás lidera o processamento de couro cru no país, com 19,0% da participação nacional. Mato Grosso aparece na segunda posição com 16,8%, seguido por Mato Grosso do Sul, que detém 12,1% do mercado nacional.

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