Os cafés brasileiros permanecerão isentos das novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos importados. A decisão foi anunciada pela representação comercial norte-americana (USTR), que incluiu todas as categorias do produto brasileiro na lista de exceções das investigações conduzidas sob a Seção 301 da legislação comercial dos EUA.
Com a medida, o grão nacional livra-se de sobretaxas que poderiam atingir 37,5%, soma resultante das alíquotas de 25% e 12,5% previstas nas apurações abertas em Washington.
Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a isenção é fruto de uma articulação técnica de mais de um ano liderada em conjunto com a Abic, a Abics e a National Coffee Association (NCA), dos EUA.
O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, revelou que o setor realizou mais de 100 reuniões com os Departamentos de Comércio, Estado e Agricultura norte-americanos para defender a relevância do produto.
“Explicamos, de forma técnica e apolítica, a importância do café ao consumidor, à indústria e para a economia dos EUA, o que possibilitou uma melhor compreensão das autoridades e da população americanas”, destacou o executivo.
Preservação de mercado bilionário
A decisão do USTR garante a estabilidade de uma das principais correntes de comércio do agronegócio nacional. O envio do grão para o mercado norte-americano movimenta entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões anualmente. Os EUA lideram o consumo e a importação global da bebida, enquanto o Brasil é o maior produtor e exportador do grão no planeta, embarcando cerca de 6 milhões de sacas de 60 kg por ano para o parceiro comercial.
Argumentação técnica sobre trabalho no campo
A atuação da NCA junto aos órgãos reguladores dos EUA também foi determinante para desarmar alegações sobre relações de trabalho. A entidade levou dados oficiais que comprovaram a realização de mais de 58 mil fiscalizações no setor cafeeiro brasileiro, com registros de irregularidades em apenas 1% dos casos.
Também foram apresentadas iniciativas como o Pacto pelo Trabalho Decente na Cafeicultura e o Programa Trabalho Sustentável (PTS), mantidos em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Segundo o Cecafé, os relatórios socioambientais serviram como base técnica direta para que o governo dos EUA decidisse retirar o café brasileiro do pacote de tarifação.