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Deriva de agrotóxicos ameaça extinção da sericicultura no Noroeste do Paraná

Contaminação de amoreiras por defensivos de lavouras vizinhas causa prejuízo total a produtores de bicho-da-seda; em Mandaguaçu, número de barracões caiu de 60 para apenas três
29 mar 2026 às 08:00
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A sericicultura, pilar histórico da agricultura familiar no Noroeste do Paraná e fornecedora da seda que abastece a indústria de luxo europeia, atravessa uma crise crítica causada pela deriva de defensivos agrícolas. O problema ocorre quando resíduos químicos de lavouras vizinhas, como soja, milho e cana-de-açúcar, contaminam as amoreiras — única fonte de alimento do bicho-da-seda. O impacto é devastador: as lagartas que ingerem as folhas contaminadas não conseguem completar o ciclo, resultando em casulos de "casca fina" sem valor comercial ou na morte prematura dos insetos.


O declínio é visível em municípios como Mandaguaçu, que viu seu quadro de 60 produtores minguar para apenas três barracões ativos. O cenário é paradoxal, pois o mercado está aquecido, com o quilo do casulo cotado a R$ 40,00 — um valor que permitiria um faturamento de R$ 4.000,00 a cada 100 kg. No entanto, a falta de segurança na colheita e a ausência de seguros agrícolas que cubram prejuízos por toxicidade ambiental estão expulsando famílias da atividade após décadas de dedicação, como é o caso do produtor Nilson, que encerrou as atividades após 30 anos.


Para tentar salvar o setor, órgãos de fiscalização têm intensificado vistorias em propriedades de monoculturas para inspecionar equipamentos de pulverização e orientar sobre normas técnicas de aplicação. O objetivo é promover uma convivência harmônica entre as culturas, evitando que a tecnologia de aplicação prejudique setores sensíveis como a sericicultura, fruticultura e horticultura. A preservação da seda paranaense é estratégica não apenas pela qualidade internacional do fio, mas pelo seu papel social na fixação das famílias no campo por meio da pequena propriedade sustentável.

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