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EUA anunciam tarifa de 25% sobre produtos do Brasil

16 jul 2026 às 09:33

O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quinta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros. A decisão, que entrará em vigor no dia 22 de julho, decorre de uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Baseada na Seção 301 da legislação americana, a medida deve impactar cerca de US$ 15 bilhões em exportações anuais, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI).


A imposição do "tarifaço" ocorre após um ano de negociações malsucedidas entre Brasília e Washington. O governo de Donald Trump alega que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio bilateral. Entre os pontos questionados pela Casa Branca estão o sistema de pagamentos PIX — sob argumento de que prejudica operadoras de cartões de crédito —, restrições ao etanol americano, pirataria e o desmatamento ilegal.


Representantes do governo brasileiro consideram os pontos exigidos pelos EUA inegociáveis e avaliam a medida como política. Em resposta, o Palácio do Planalto estuda acionar a Lei da Reciprocidade Econômica para aplicar sanções equivalentes aos norte-americanos, ou manter canais diplomáticos abertos.


Bens Isentos e Produtos Afetados

Apesar do forte impacto econômico da medida, os principais produtos da pauta de exportação brasileira para o mercado americano foram poupados da nova taxação.


Ficaram de fora da nova cobrança e permanecem isentos:


  • Carne bovina e peixes;

  • Café, laranjas, sucos de laranja e castanhas;

  • Petróleo bruto, gás natural e minérios estratégicos;

  • Aeronaves civis, helicópteros, motores e componentes aeroespaciais;

  • Celulose, ferro-gusa e insumos farmacêuticos.


Por outro lado, passarão a enfrentar a sobretaxa de 25%:


  • Etanol e açúcar orgânico;

  • Máquinas agrícolas, equipamentos de mineração e bens de capital;

  • Calçados, vestuário e papel;

  • Maquinário elétrico, ferramentas e produtos químicos diversos.


Acúmulo de Tarifas e Tensões Comerciais

A nova tarifa de 25% soma-se a outras restrições já enfrentadas pelo Brasil em 2026. Washington mantém as tarifas da Seção 232, que aplicam alíquotas de até 50% sobre setores industriais específicos, como aço e alumínio.


Adicionalmente, os EUA conduzem outra investigação comercial que pode impor uma tarifa extra de 12,5% sobre 60 economias, incluindo o Brasil, sob a justificativa de combate ao uso de trabalho forçado. Caso as medidas sejam aplicadas de forma cumulativa, a taxação adicional sobre alguns produtos nacionais poderá atingir 37,5%, a depender das regras alfandegárias de cada mercadoria.

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