A exportação de algodão no Brasil mantém um ritmo intenso e acelerado, mesmo durante o período de entressafra — intervalo entre o término de uma colheita e o início da safra seguinte, quando a oferta no campo costuma cair de forma acentuada. O desempenho atual do setor é impulsionado pela ampla disponibilidade do produto em pluma armazenado nos estoques e pela necessidade de escoar o excedente produtivo.
De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques brasileiros de pluma somaram 146,8 mil toneladas nos primeiros 14 dias úteis deste mês. Embora o volume represente uma retração natural de 49,6% em comparação com o ritmo aquecido de maio de 2026, o resultado parcial já supera em 10,6% toda a quantia embarcada em junho de 2025. A média diária de vendas ao exterior atingiu 10,49 mil toneladas, um avanço expressivo de 57,9% sobre o mesmo período do ano anterior.
Projeções apontam para novo topo histórico
Caso o ritmo atual de negócios seja mantido até o fechamento do mês, o volume total exportado pode alcançar a marca de 220 mil toneladas em junho. O montante estabeleceria um novo recorde para o período, superando com folga as 160,4 mil toneladas registradas em junho de 2024, que até então figurava como o maior volume da série histórica da Secex para o mês.
Mudança estrutural no mercado
Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) analisam que o país consolidou uma importante mudança estrutural nas últimas safras. O Brasil desenvolveu a capacidade de abastecer a indústria têxtil internacional de maneira contínua ao longo de todo o ano, trazendo maior segurança e previsibilidade para os compradores estrangeiros.
O cenário atual difere do padrão observado anteriormente pelo setor de fibras. No modelo antigo, os embarques agrícolas brasileiros concentravam-se quase que totalmente no segundo semestre de cada ano, logo após a colheita. Como resultado direto da evolução logística e produtiva da porteira para dentro, o fornecimento estável permite que o agronegócio atinja marcas inéditas mesmo nos meses de menor atividade no campo. Os números consolidados do fechamento do mês serão divulgados nas próximas semanas pelo governo federal.