Agro

Exportações agrícolas podem perder US$ 5,8 bi com tarifaço

16 jul 2026 às 16:13

O governo dos Estados Unidos confirmou, na noite de quarta-feira (15), a aplicação de tarifas de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros exportados para o mercado americano. A medida, que representa um duro golpe para a balança comercial brasileira, entra em vigor com força total em julho de 2026.


Apesar do cenário de forte tributação, o setor produtivo nacional obteve importantes vitórias pontuais: produtos agrícolas de peso, como carnes, café (incluindo a variedade solúvel) e o suco de laranja, que antes estavam sob risco de taxação, acabaram ficando isentos.


Por outro lado, a lista de produtos agropecuários e industriais sobretaxados continua extensa e inclui itens estratégicos como:


  • Etanol;

  • Açúcar;

  • Calçados;

  • Pescados;

  • Derivados de madeira.


De acordo com projeções do setor, apenas no segmento agropecuário o prejuízo direto com a perda de competitividade e redução das margens de lucro pode alcançar US$ 5,8 bilhões. Se somados os impactos da agroindústria e do agro tradicional, a Amcham Brasil estima que o prejuízo total para a economia brasileira possa superar a marca de US$ 11 bilhões.


As justificativas do governo americano


A sobretaxa instituída pela Casa Branca é fruto de uma investigação realizada sob o amparo da chamada "Seção 301" da legislação comercial dos Estados Unidos. Em alguns casos específicos, como o do etanol e de sucos de outras frutas, as alíquotas punitivas podem saltar de 25% para até 100%.


Para justificar a barreira alfandegária, o governo americano alegou que o Brasil adota "práticas comerciais desleais". Entre os pontos questionados pelos norte-americanos estão:


  • A estrutura do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, com menção direta ao Pix;

  • Divergências sobre leis de propriedade intelectual;

  • Questionamentos sobre a eficácia das políticas públicas nacionais de combate ao desmatamento.


Impacto econômico e falta de diretrizes


Especialistas de instituições renomadas, como a FGV Agro e a própria Amcham Brasil, são unânimes ao apontar que a decisão prejudica a histórica relação bilateral entre os dois países. Além de afetar os produtores brasileiros, a medida protecionista tende a provocar inflação e elevar os preços dos produtos para o próprio consumidor final dentro dos Estados Unidos.


Até o momento, o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) não consolidou uma nota técnica oficial detalhando planos de contingência ou ações de apoio financeiro focadas nas microrregiões produtoras mais afetadas pela entrada em vigor das novas tarifas. Diante da lacuna governamental, as lideranças do setor agropecuário correm contra o tempo em busca de novos mercados compradores para mitigar os impactos financeiros.

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