Em São Paulo, iniciativas de hortas urbanas têm transformado terrenos antes ociosos e vazios em espaços de produção de alimentos, promovendo a geração de emprego e inclusão social. Os projetos impactam diretamente a vida de moradores que encontraram na terra uma nova oportunidade de trabalho e autonomia financeira.
Na Zona Leste da capital paulista, um dos principais destaques é a horta administrada pela ONG Cidade Sem Fome. No local, dezenas de pessoas que antes enfrentavam situação de vulnerabilidade social atuam diariamente no cultivo, manejo do solo, colheita e no beneficiamento de hortaliças.
Histórias de transformação e recomeço
O funcionário mais antigo do projeto é o cearense José Alves Oliveira, de 72 anos. Com experiência prévia na roça, ele migrou para a capital paulista, onde exerceu diferentes profissões. Próximo de completar 60 anos, Oliveira ficou desempregado e enfrentou dificuldades de recolocação até encontrar uma vaga na horta urbana. Atualmente, ele cuida da preparação da terra, atividade que o reconecta com a juventude.
Outros colaboradores também relatam mudanças significativas na rotina. É o caso de Jaqueline, que ingressou na horta há pouco mais de um ano. Durante o trabalho de colheita, ela destaca que a vaga garantiu estabilidade e dignidade.
“É um recomeço”, afirma Jaqueline, ressaltando que a atividade trouxe independência pessoal.
Propósito e capacidade de produção
Para o fundador da ONG Cidade Sem Fome, Hans Dieter Temp, o projeto cumpre uma função que vai além do aspecto comercial e econômico.
“A maior dor de um pai ou uma mãe é não conseguir colocar comida de qualidade e em quantidade suficiente dentro de casa, alimentar seus filhos”, explica Temp.
A estrutura da horta urbana possui números consolidados de produtividade:
Volume mensal: Produção média de 6 toneladas de alimentos por mês.
Diversidade: Cultivo regular de mais de 30 culturas agrícolas diferentes.
Extensão: Área produtiva total de 10 hectares recuperados na periferia paulistana.