Com o mercado de compra e venda de gado praticamente paralisado nas duas últimas semanas, o preço da carne bovina registrou uma leve queda no mercado atacadista de São Paulo. De acordo com a análise do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o setor pecuário adota uma postura cautelosa e adia novos negócios diante do veto da União Europeia às carnes brasileiras.
O indicador da carcaça casada bovina — que reúne os cortes do traseiro, do dianteiro e da ponta de agulha — acumulou um recuo de 0,24% entre os dias 29 de maio e 17 de junho. O produto foi negociado a R$ 24,71 por quilo na última quarta-feira (17).
Essa lentidão operacional atinge a maior parte das 28 regiões de pecuária acompanhadas pelo instituto de pesquisa no país. Com o fechamento de novos lotes de animais travado, os frigoríficos operam com escalas de abate programadas entre 4 e 11 dias, o que contribui para manter a estabilidade temporária nos preços e evitar oscilações bruscas no atacado.
Consumo interno dita rumo dos cortes
A desvalorização da carcaça casada reflete um comportamento misto entre as categorias de cortes:
Corte traseiro (no bife): Queda acumulada de 1,12% no período avaliado.
Corte dianteiro: Valorização de 1,03%.
Ponta de agulha: Permaneceu estável.
O movimento demonstra como o poder aquisitivo do consumidor dita os rumos na gôndola. Em períodos de menor liquidez na economia ou na transição de mês, cortes mais nobres e caros do traseiro perdem espaço no prato dos brasileiros, enquanto os cortes do dianteiro ganham a preferência e sustentam o valor do boi.
Oferta alta pressiona suínos; exportação salva o frango
No mercado de carne suína, os preços continuam pressionados pela alta oferta interna de animais. O crescimento da produção no campo ocorre em velocidade superior ao avanço da demanda doméstica. Com isso, a carcaça suína registrou uma queda acumulada de 2,03% na parcial de junho, comprimindo as margens de lucro dos criadores.
Em contrapartida, o mercado de carne de frango registra valorização. Mesmo com o cenário de oferta elevada na produção nacional, o frango resfriado acumulou alta de 3,21% no mesmo intervalo de análise.
Os pesquisadores do Cepea explicam que a valorização da ave é impulsionada pelo desempenho recorde das exportações brasileiras, que ajuda a enxugar o excesso de carne disponível nas redes de distribuição locais e dá sustentação aos preços cobrados no varejo.