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Preço do café arábica cai 14% em fevereiro com projeção de safra recorde

Valor médio da saca fechou o último mês em R$ 1.864,51, o menor nível desde julho de 2025; pesquisadores preveem colheita histórica para 2026/27
04 mar 2026 às 18:26
Por: AgroBand
Freepik
O preço médio do café arábica encerrou o mês de fevereiro no menor patamar registrado desde julho de 2025. De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a queda foi impulsionada pela perspectiva de uma colheita recorde no Brasil para a safra 2026/27, um volume de produção que não é alcançado pelo país desde 2021.

Em fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6 (bebida dura para melhor), posto na capital paulista, apresentou uma média de R$ 1.864,51 por saca de 60 kg. O valor representa uma retração nominal de R$ 311,31 por saca, ou 14,3%, em comparação ao fechamento de janeiro.

Pressão da safra recorde no mercado

A principal força por trás da desvalorização recente é a expectativa de uma oferta significativamente maior no futuro próximo. Pesquisadores do Cepea explicam que o mercado já começa a precificar a possibilidade de uma produção histórica para o ciclo 2026/27. Esse movimento de antecipação é comum em commodities agrícolas, onde as projeções de abundância tendem a reduzir as cotações atuais.


Apesar da queda acentuada no mês, o valor registrado em fevereiro ainda se mantém ligeiramente acima do piso observado em julho de 2025. Naquele período, o Brasil atravessava o pico da colheita da safra 2025/26 e os preços foram deflacionados pelo IGP-DI para comparação em termos reais.


Patamar histórico segue elevado

Embora o recuo de 14% assuste o produtor no curto prazo, a análise histórica revela que o café arábica ainda opera em níveis considerados altos. Segundo o Cepea, a média de fevereiro de 2026 é a terceira maior para este mês em toda a série histórica do instituto, iniciada em setembro de 1996, quando corrigida pela inflação.


Os preços atuais só perdem para os registros de fevereiro de 2025 e do mesmo período de 1997. Isso indica que, embora a pressão da safra recorde tenha provocado um ajuste negativo, a commodity ainda mantém uma rentabilidade histórica relevante frente às décadas anteriores.

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No mercado de café, o termo "bebida dura" refere-se a uma classificação de sabor e aroma que indica um café de boa qualidade, com sabor acentuado e sem adstringência. Já o conceito de "valores deflacionados" significa que os preços foram ajustados para descontar o efeito da inflação (neste caso, pelo índice IGP-DI), permitindo uma comparação justa do poder de compra entre diferentes épocas.


O setor agora monitora as condições climáticas nas principais regiões produtoras, como o Sul de Minas e o interior de São Paulo, para confirmar se o potencial produtivo da safra 2026/27 se consolidará, o que pode manter ou intensificar a pressão sobre as cotações nos próximos meses.

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