Agro

Produção de mel garante renda sustentável e preservação ambiental

22 jun 2026 às 12:48

A produção de mel tem se consolidado como uma alternativa de negócio sustentável e de preservação ambiental para produtores rurais em diferentes regiões do país. Em Mato Grosso do Sul, o apicultor Osívio Trevejo, idealizador de um apiário familiar, expandiu sua criação de apenas seis colmeias iniciais para as atuais 170.


O avanço da atividade destaca a importância das abelhas no processo de polinização, essencial para a manutenção da biodiversidade e para a garantia de um terço de todos os alimentos consumidos no Brasil.

O sucesso do negócio em solo sul-mato-grossense está diretamente associado à atenção redobrada com o ecossistema e à ausência de defensivos agrícolas na região de manejo. A união familiar permitiu a divisão estratégica das etapas produtivas para garantir o crescimento estruturado do apiário.


Do campo à agroindústria


Aloyara Trevejo, filha do apicultor, explica que o processo produtivo começa com a coleta do mel no campo e segue para o beneficiamento em uma agroindústria localizada em Campo Grande, capital do estado.

Na unidade, os trabalhadores realizam as seguintes etapas:


  • Retirada dos favos;

  • Desoperculação da cera (remoção da camada superficial que protege o mel);

  • Uso de uma centrífuga para extrair o produto em estado líquido.


Após esse processo, a cera é devolvida em formato de favo para as colmeias, o que otimiza o trabalho biológico das abelhas. O manejo respeita rigorosamente o ciclo de vida e a hierarquia dos insetos. As abelhas operárias vivem de 30 a 40 dias, enquanto a rainha pode alcançar até 5 anos de vida.


A variedade da flora nativa também determina as características do produto final, resultando em méis de diferentes cores e sabores, como o Cipó-uva (clarinho e quase transparente), o Jatobá (tom caramelo avermelhado), o Silvestre e o de Aroeira.


Expansão da atividade no Maranhão


As práticas apícolas também ganham relevância no Nordeste do país. No Maranhão, produtores locais reforçam os cuidados técnicos necessários para garantir a segurança dos profissionais e a integridade das colmeias durante a extração.


O apicultor Sebastião ressalta a obrigatoriedade do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como macacões isolantes e redes faciais, devido aos riscos inerentes ao manejo de insetos com ferrão. No apiário maranhense, a extração segue a mesma lógica de preservação das estruturas das caixas, onde as abelhas criam as larvas e depositam o mel.


Além do tradicional mel centrifugado, a região se destaca no mercado pela comercialização do produto in natura. O alimento é apresentado diretamente nos potes com os pedaços de favo e cera integrados, mantendo as características originais do produto artesanal.

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