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Queimadas em SP têm maior redução da história mesmo com seca extrema

Ações integradas, recorde de brigadistas capacitados e investimento em tecnologia garantiram resposta rápida e eficiente durante a estiagem mais severa dos últimos ano
23 dez 2025 às 11:14
Por: Band
Foto: Defesa Civil São Luiz do Paraitinga

O estado de São Paulo encerrou o período crítico de estiagem de 2025 com um resultado histórico para o meio ambiente e para o setor produtivo rural. Dados consolidados pela Operação SP Sem Fogo mostram a maior redução no índice de queimadas já registrada. Entre junho e outubro, o total de área queimada em unidades de conservação caiu 91% em comparação com o ano anterior, enquanto o número de focos de incêndio detectados recuou 50%.


Os números do Painel Geoestatístico da Operação revelam o tamanho da preservação: foram 2.908 hectares afetados e 102 focos em 2025. No mesmo período de 2024, o cenário foi devastador, com 32.377 hectares destruídos e 205 focos registrados.


Resultado desafia o clima adverso

O que torna o balanço ainda mais expressivo é o contexto meteorológico em que foi alcançado. Segundo a Defesa Civil, 2025 apresentou condições climáticas excepcionalmente críticas para a propagação do fogo. Durante os meses de seca, as temperaturas máximas ficaram, em média, 41% acima do esperado, enquanto o volume de chuvas (precipitação) foi 55% menor do que a média histórica.

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Para o Coronel Henguel Pereira, coordenador estadual da Defesa Civil, a antecipação foi a chave. “Mesmo em um ano de condições meteorológicas extremamente críticas — com calor intenso, baixa umidade e meses sem chuva — conseguimos reduzir drasticamente a área queimada. Isso só foi possível porque ampliamos o planejamento, reforçamos as equipes e adotamos uma estrutura inédita de monitoramento”, avalia.


Sala de guerra e tecnologia de ponta

A estratégia do governo estadual se baseou na criação da "Sala SP Sem Fogo". Inspirada em modelos de gestão de crises de Portugal e Espanha, a estrutura centralizou especialistas, inteligência geoespacial e dados meteorológicos em tempo real.


Essa integração permitiu antecipar riscos e deslocar equipes com até 24 horas de antecedência para locais vulneráveis, antes que o fogo começasse ou saísse de controle.


O monitoramento contou com o reforço de sistemas avançados como o SMAC e o PANTERA, que integram dados de satélites e sensores térmicos. Drones com câmeras capazes de detectar calor foram utilizados para identificar focos iniciais, inclusive durante a noite ou em áreas de mata fechada.


Prevenção nas estradas e no campo

A proteção se estendeu para além das reservas ambientais, impactando diretamente a logística do agronegócio. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) investiu mais de R$ 141 milhões em ações preventivas ao longo de 12 mil quilômetros de rodovias.


Foram realizados serviços de capina e roçada em mais de 53 mil hectares às margens das pistas, além da criação de aceiros (faixas de terra sem vegetação que impedem o avanço das chamas). Essas medidas são vitais para evitar que incêndios em beira de estrada se alastrem para lavouras vizinhas.


Força-tarefa e investimentos

A operação mobilizou o maior contingente da história para o combate ao fogo. Cerca de 3 mil agentes de 600 municípios foram capacitados. A infraestrutura também foi robusta:


Apoio aéreo: R$ 14 milhões destinados a aviões e helicópteros;

Fundação Florestal: R$ 11 milhões em equipamentos como motobombas e tanques flexíveis;

Bombeiros civis: Contratação de postos temporários e brigadistas especializados.

Segundo Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), o estado se consolidou como referência.

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