O menino Oliver Grayson, de 3 anos, espancado pelo próprio pai por conta de um "bom dia", teve a morte cerebral confirmada na madrugada desta quinta-feira (9), em Porto Alegre.
A criança estava internada desde domingo no Hospital de Pronto Socorro da capital gaúcha e a família decidiu doar seus órgãos.
O pai, o missionário norte-americano D'Andre Grayson, de 33 anos, está preso preventivamente e vai responder por homicídio qualificado. Ele também é investigado por tortura contra os outros filhos.
Segundo a polícia, o missionário confessou que deu socos no peito e no abdômen do menino e bateu a cabeça da criança contra o chão.
A mãe do menino, de nacionalidade japonesa, também tem uma possível omissão investigada pela polícia. O casal de missionários está no Brasil há nove anos e no Rio Grande do Sul há seis meses. Além do menino de 3 anos, têm outros quatro filhos, e a polícia suspeita que todas as crianças sofriam agressões.
Há indícios de violência doméstica no histórico da família em outros dois estados – São Paulo e Santa Catarina. Oliver era acompanhado pelo Conselho Tutelar de Viamão desde novembro do ano passado, quando uma enfermeira da rede de saúde percebeu hematomas no corpo da criança.
O conselho fez uma série de visitas à residência e acompanhava o caso de perto, mas em nenhum momento chegou a pedir o afastamento das crianças do lar.
O prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti (PSDB), confirmou que uma nova visita estava marcada para esta quinta-feira (9), sem a presença do pai, para a decisão final sobre a abrigagem da criança.