Uma falha massiva na rede de monitoramento do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Rio Grande do Sul impediu que autoridades e meteorologistas antecipassem com precisão a localização e o volume das fortes chuvas que devastaram o estado. Mais de 200 municípios gaúchos enfrentam estragos severos provocados pelas cheias.
Um levantamento feito por pesquisadores aponta que, nos dias que antecederam os temporais, apenas 16 das 98 estações meteorológicas do Inmet operavam normalmente em solo gaúcho — o que representa uma inoperância de aproximadamente 83% da rede.
Erro de localização e impacto nas bacias
A falta de dados de superfície degradou a precisão dos modelos atmosféricos e induziu diagnósticos incorretos. As simulações indicavam que o acumulado pluviométrico se concentraria na região central do estado. Contudo, os maiores volumes caíram na região Norte, onde ficam localizadas as cabeceiras dos principais rios gaúchos.
O desvio na previsão pegou moradores e defesas civis do Vale do Taquari de surpresa com a subida rápida e violenta dos rios. Em Porto Alegre, o Lago Guaíba acumulou grande quantidade de troncos, madeiras e entulhos arrastados pela correnteza.
Especialistas alertam que a medição no Rio Grande do Sul é estratégica para todo o país, por ser a porta de entrada para as frentes frias vindas da Argentina. Falhas na coleta local reduzem a confiabilidade de previsões nacionais e globais. Até o momento, o Inmet não se posicionou sobre as causas do problema nos equipamentos.
Alerta para nova frente fria
A desarticulação no sistema de dados acende o sinal de alerta no estado diante da aproximação de uma nova frente fria. A expectativa é de estabilização do tempo com pancadas e risco de temporais isolados que podem superar os 100 milímetros acumulados em algumas regiões, a começar pelo Oeste gaúcho.