Investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) revelaram a interceptação de comunicações diretas entre o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e a advogada Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Além de expor tratativas de contratos milionários de prestação de serviços jurídicos, os relatórios da PF expuseram planos de monitoramento e intimidação a jornalistas e desafetos orquestrados pelo empresário e seus aliados.
As mensagens trocadas com Viviane Barci, datadas de janeiro de 2024, detalham a negociação de um contrato de honorários jurídicos para que o escritório da família do magistrado atuasse em causas complexas perante órgãos de grande relevância institucional, como o Banco Central, a Receita Federal, o Congresso Nacional e o próprio Poder Judiciário.
O acordo financeiro sob análise previa o repasse de mais de R$ 9 milhões diluídos ao longo de três anos. Em nota oficial emitida à imprensa, o escritório de advocacia confirmou a interlocução, informando ter realizado 94 reuniões de trabalho com representantes do Banco Master, e assegurou categoricamente que toda a relação profissional estabelecida seguiu estritamente os parâmetros legais vigentes.
Plano de Monitoramento contra a Liberdade de Imprensa
Para além das discussões sobre os contratos jurídicos, os relatórios da Polícia Federal trouxeram à tona diálogos considerados alarmantes pelas entidades de classe, evidenciando tentativas de silenciar profissionais que publicavam reportagens críticas aos negócios do Banco Master.
Em uma das conversas extraídas, Daniel Vorcaro dá ordens explícitas ao publicitário Thiago Miranda para que investigue a vida da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, logo após a jornalista veicular matérias sobre supostas fraudes na instituição financeira. Demonstrando forte irritação, o banqueiro escreve: "Vamos ter que pegar algo dessa mulher no pessoal".
Em resposta à ordem, Thiago Miranda afirma que iria "revirar a vida dela" com o objetivo de encontrar alguma vulnerabilidade, acrescentando que era necessário "arrumar uma forma de calar essa mulher", a quem classificou em tom pejorativo como "intragável". O relatório investigativo aponta que a equipe do banqueiro chegou a realizar buscas em cadastros judiciais e dados bancários da jornalista, mas as buscas foram encerradas sem que encontrassem qualquer histórico que pudesse ser utilizado para constrangê-la publicamente.
Entidades Repudiam Métodos e Cobram Punição
A revelação dos métodos utilizados pelo grupo ligado ao Banco Master gerou forte reação e indignação nos setores de comunicação. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestou-se por meio de uma nota contundente de repúdio. No texto, a entidade classificou as táticas de rastreamento e retaliação adotadas por Daniel Vorcaro e Thiago Miranda como práticas de teor "mafioso", configurando um grave atentado contra a liberdade de imprensa e o livre exercício do jornalismo no país.
A ANJ cobra das autoridades competentes e dos órgãos oficiais uma apuração célere e rigorosa sobre o suposto acesso ilegal aos dados privados e sigilosos da colunista, reforçando que o monitoramento ilícito de cidadãos e o cerceamento do trabalho de denúncia são totalmente incompatíveis com o Estado Democrático de Direito.