Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa adicional de 25% imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre uma série de produtos exportados pelo Brasil. A sobretaxa, anunciada após investigações do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), pode chegar a um acréscimo de até 37,5% em alguns casos e atinge cerca de 18% das vendas brasileiras para o mercado norte-americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões.
Entre as justificativas apresentadas pelo USTR estão questionamentos sobre práticas do comércio digital brasileiro, o sistema de pagamentos Pix, tarifas preferenciais e regulações ambientais. O governo brasileiro rebateu as acusações, classificando as alegações sobre o Pix e a regulação de plataformas como totalmente descabidas.
Impactos e produtos isentos
A medida atinge em cheio setores estratégicos da indústria e do agronegócio nacional. Ficaram sujeitos à alíquota de 25%:
Siderurgia e metalurgia: ferro e aço;
Agroindústria: açúcar, etanol e maquinário agrícola;
Bens de consumo e manufaturados: vestuário, calçados, produtos farmacêuticos e máquinas elétricas.
Por outro lado, itens como aviação civil, petróleo, carne bovina e café — que representam um terço da pauta exportadora para os EUA — foram mantidos fora do tarifaço. As isenções foram concedidas por Washington para evitar o desabastecimento interno e a alta de preços no mercado consumidor americano.
'Reciprocidade não é retaliação'
Em resposta à medida unilateral, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo brasileiro pretende usar os instrumentos da Lei da Reciprocidade Comercial para reequilibrar as relações de mercado.
"A ideia não é retaliação. Dizem que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso", declarou Alckmin.
O plano de ação do Palácio do Planalto foi estruturado em três eixos principais: suporte financeiro às companhias afetadas, diversificação de mercados compradores e diálogo diplomático. A Lei da Reciprocidade, regulamentada em 2025, autoriza a Câmara de Comércio Exterior (Camex) a aplicar restrições a bens e serviços importados dos EUA, caso as negociações bilaterais não alcancem um acordo.