A suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan gerou dúvidas entre as mais de 500 mil pessoas que já receberam a dose. Afinal, quem foi vacinado precisa se preocupar? É necessário procurar um posto de saúde imediatamente?
De acordo com o Ministério da Saúde, a recomendação para quem recebeu a vacina recentemente é manter atenção ao surgimento de sintomas ou reações adversas, especialmente nos primeiros 21 dias após a aplicação.
A orientação foi divulgada após a suspensão preventiva da campanha, anunciada nesta segunda-feira (8), em razão da investigação de 42 casos de reações adversas graves e de duas mortes suspeitas registradas entre pessoas vacinadas.
Até o momento, porém, não há comprovação de que os casos tenham sido causados pela vacina.
"O que existe hoje é uma investigação em andamento. Ainda não foi estabelecida uma relação de causa e efeito entre a vacinação e os eventos graves registrados", informou o Ministério da Saúde. Preciso procurar um posto de saúde?
Segundo a orientação oficial, pessoas vacinadas nos últimos 21 dias devem procurar uma unidade de saúde caso apresentem sintomas incomuns ou qualquer reação considerada preocupante.
O acompanhamento permite que profissionais de saúde avaliem o quadro e, se necessário, notifiquem eventuais eventos adversos ao sistema de farmacovigilância do Ministério da Saúde.
Já quem recebeu a vacina há mais tempo e não apresentou qualquer reação não precisa tomar nenhuma medida específica.
Quais sintomas merecem atenção?
As autoridades de saúde recomendam buscar avaliação médica caso ocorram sintomas como:
Febre persistente; Mal-estar intenso; Dor forte no corpo; Reações alérgicas importantes; Falta de ar; Tontura intensa; Desmaios;
Qualquer sintoma considerado fora do padrão após a vacinação. A orientação vale principalmente para pessoas vacinadas recentemente.
A vacina é segura?
Especialistas destacam que a suspensão da campanha não significa que o imunizante tenha sido considerado inseguro.
O infectologista Jean Gorinchteyn, do Instituto Emílio Ribas, afirma que a interrupção temporária é uma medida de precaução para permitir uma investigação detalhada dos casos registrados.
Segundo ele, a vacina passou por estudos clínicos com cerca de 16 mil voluntários e demonstrou eficácia próxima de 80% contra a dengue e de quase 90% contra formas graves da doença.
"O fato de surgirem eventos raros após a aplicação em uma população muito maior não significa, necessariamente, que a vacina seja a causa desses casos. É exatamente isso que a investigação busca esclarecer", explicou o especialista.
A proteção continua valendo?
Sim. Quem já recebeu a dose continua considerado vacinado. A suspensão anunciada pelo Ministério da Saúde afeta apenas novas aplicações do imunizante até que a investigação seja concluída.
As doses já distribuídas permanecerão armazenadas na rede de frio do Sistema Único de Saúde (SUS) e poderão voltar a ser utilizadas caso as análises confirmem a segurança da vacina.
O que fazer agora?
Para quem já foi vacinado, a orientação das autoridades sanitárias é simples: Não entrar em pânico;
Acompanhar possíveis sintomas durante os 21 dias após a aplicação; Procurar uma unidade de saúde caso surjam reações incomuns; Aguardar os resultados da investigação conduzida pelo Ministério da Saúde, Anvisa e Instituto Butantan.
Até o momento, as autoridades reforçam que não existe comprovação de ligação entre a vacina e as mortes que motivaram a suspensão temporária da campanha.