A Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283, que vitimou 62 pessoas após o acidente ocorrido quando o avião saiu do aeroporto de Cascavel com destino a São Paulo e caiu em Vinhedo, município próximo a Campinas, no estado de São Paulo, publicou uma nota de repúdio em resposta à declaração oficial da companhia aérea Voepass. A empresa alegou que o acidente causou dificuldades financeiras, justificando a necessidade de um prazo para renegociar suas dívidas.
A nota da associação critica a argumentação da Voepass, afirmando que o acidente não pode ser usado como desculpa para os problemas financeiros da companhia. A associação também ironizou o conteúdo da nota da empresa, que mencionou como o acidente teria "atrapalhado o processo de expansão programado". A associação ressaltou que, além da perda da estabilidade financeira, as famílias das vítimas perderam emocionalmente seus entes queridos de forma abrupta, destacando a falta de empatia da empresa para com as famílias afetadas.
No dia 9 de fevereiro, a companhia aérea Voepass anunciou publicamente um pedido de tutela para renegociar suas dívidas a curto prazo, alegando que precisa de uma reestruturação financeira para manter a empresa sustentável.
A Voepass ainda não entrou em recuperação judicial, embora tenha passado por esse processo quando ainda se chamava Passaredo, concluído em 2017. A companhia já enfrentava dificuldades financeiras desde a pandemia, e segundo a empresa, o acidente do voo 2283, que caiu em Vinhedo, agravou ainda mais sua situação. Veja ambas as notas na íntegra abaixo.
Confira na íntegra a nota da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283
Confira na íntegra a nota da Voepass
Ribeirão Preto, 3 de fevereiro de 2025 - A VOEPASS Linhas Aéreas comunica que nesta data ajuizou um pedido de tutela preparatória na forma da legislação vigente, objetivando a reestruturação de suas obrigações financeiras de curto prazo e o fortalecimento da estrutura de capital para obter sustentabilidade no longo prazo. O pedido, que contempla o reperfilamento da condição de endividamento, visa organizar os passivos e seu fluxo de caixa.
A operação de suas rotas atuais segue com normalidade, assim como a venda de passagens e as reservas, que podem ser encontradas no site da VOEPASS além dos canais de vendas de empresas parceiras, assegurando seu compromisso de conectar o interior do Brasil aos grandes pólos, desenvolvendo a aviação regional brasileira e preservando sua função social de garantir e gerar postos de trabalho.
"Mesmo diante de tantas adversidades setoriais, considerando todos os desafios que a aviação no Brasil enfrenta há algum tempo, como é de conhecimento público, nós chegamos aos 30 anos de atuação na aviação regional - a companhia aérea há mais tempo em operação no Brasil -, pautando nossa história pela resiliência e pela busca de soluções, sempre focada na missão de tornar possível conectar o interior do País com um serviço de qualidade" afirma José Luiz Felício Filho, CEO da VOEPASS Linhas Aéreas.
"Fomos responsáveis por desbravar e atuar com pioneirismo em inúmeras cidades brasileiras, que nunca tinham contado com voos comerciais, contribuindo, inclusive, para o desenvolvimento de diversas regiões", diz Felício. "Nos últimos três anos, facilitamos o transporte de 2,7 milhões de passageiros e mais de 900 mil em 2024, que puderam contar com nosso serviço para se deslocar entre diversas regiões do Brasil, e empregamos 809 pessoas e geramos uma infinidade de empregos indiretos".
Em meados de 2024, a VOEPASS contava com uma ampla malha e saúde financeira propícia para continuar sua expansão programada, que foi impactada após o trágico acidente do voo 2283, em agosto passado.
É importante ressaltar ainda que a medida não engloba os processos indenizatórios ligados ao acidente ocorrido em agosto de 2024, já que estes estão sendo realizados através da seguradora. A companhia segue empenhada nas tratativas com as famílias para garantir a conclusão do processo da forma mais ágil e satisfatória possível.
Diante deste novo momento, a medida se fez necessária, já que o mercado da aviação comercial passa por uma crise setorial, sofrendo desde a pandemia com o fechamento do espaço aéreo que restringiu a 30% de realização da projeção de passageiros transportados para o ano de 2020 e impactou drasticamente o fluxo de caixa da companhia; enfrentando os efeitos econômicos diretos decorrentes da influência na base de seus custos de componentes macroeconômicos como o dólar e o petróleo; considerando o custo operacional da atividade aérea, que envolve a manutenção das aeronaves, incluindo reparo e substituição de peças importadas e o alto valor do leasing, ambos com pagamentos em dólar. A medida é um caminho importante para que a empresa continue honrando compromissos com seus passageiros, colaboradores, parceiros e credores.
A companhia ressalta que seguirá priorizando salários e benefícios dos colaboradores normalmente ao longo desse processo e que as atividades serão mantidas; assim como cumprirá com os pagamentos pelos serviços prestados e produtos entregues a partir da data deste processo.
"Com esta medida, conseguiremos, em breve, retomar o fôlego financeiro e dar início a uma reestruturação para que a VOEPASS mantenha sua função social e continue com sua missão, que é de interesse da sociedade, desenvolvendo a aviação regional brasileira e viabilizando a manutenção de centenas de empregos", conclui Felício.
A VOEPASS conta com a participação das assessorias jurídicas especializadas e experientes, Daniel Carnio Advogados, Mubarak Advogados Associados, assim como a assessoria financeira da EXM Partners, para formatação da medida.