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De Londrina para o Brasil: conheça o beatmaker pé-vermelho que soma 20 milhões de views

Do aprendizado no YouTube às gravações no Jardim São Jorge, o produtor londrinense detalha a missão de desburocratizar o Rap e lançar seu próprio selo
14 fev 2026 às 13:00
Por: Guilherme Prado
Arquivo Pessoal/Lucas Hosken

Pé-vermelho, visionário e focado na "Missão", Lucas Hosken Martins Miranda, prestes a completar três décadas de vida, encara de frente a glória e os desafios da ascensão no mundo digital. Apesar de estar há 10 anos trabalhando diretamente com seus beats, Hosken conta que não veio de uma família ligada à música e que as primeiras inspirações foram aquelas que muitos têm em casa.


“O que me conectou cedo foram os discos da MTV que minha família tinha. Eu escutava muito Cássia Eller; O Rappa e Bob Marley também tocavam muito no meu ambiente”, lembra Lucas.


Porém, a virada de chave veio de forma inesperada. A primeira vez que ele conseguiu sentir a música como uma experiência foi em uma rave. “Aos 16 anos, eu fui parar em uma festa dessas. Lá eu vi que as pessoas iam para consagrar o som. Foi na rave que comecei minha jornada na música, a pesquisar e entender melhor. Durante uma época, virei até DJ.”


Após praticar muito, veio a percepção que para alguns artistas demora a acontecer: "Pô, isso aqui está ruim". “Eu não tinha referência. Então, vi que o som não estava legal e comecei a caçar minhas inspirações. Primeiro veio um gringo, o J. Dilla, e depois o Black Alien que, diferente do Racionais, que você aprende a cantar escutando na rua, me conectou de uma forma diferente”, destaca o beatmaker (produtor musical focado na criação de instrumentais (beats), comum no hip hop, trap e música eletrônica).


Já experiente e dominando as formas de produzir, Lucas iniciou na criação de conteúdo. A princípio, realizou diversos testes em plataformas e formatos. Hosken passou alguns anos no YouTube ensinando entusiastas, assim como ele, a produzir batidas.

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Após estudar criadores de conteúdo do exterior, ele decidiu soltar nas ruas de Londrina o “Sua Rima No Meu Beat”, projeto que já soma mais de 20 milhões de visualizações nas redes sociais e garantiu a Lucas 125 mil seguidores no Instagram. Além do reconhecimento digital, o produto que Lucas chama carinhosamente de “O Projeto” o levou para fora dos limites físicos do município. Por duas vezes, ele subiu a Serra até Curitiba para gravar episódios com artistas da cena local do Hip Hop.


Um ponto curioso da viagem à capital é que o produtor que o convidou, Bruno Dari, aprendeu a fazer beats justamente acompanhando os vídeos de Hosken no YouTube anos atrás.


Aposto feito, o criador de conteúdo destaca a capacidade do projeto em mudar a realidade dos artistas e a sua própria. “Minha vida é um freestyle. Eu vi artistas que participaram tendo alcance a partir do projeto; vi a chama do Rap e da música reacender neles. Eles enxergaram a possibilidade real de trabalhar com isso. A Cleopátra, rapper londrinense, é nosso maior exemplo. Ela tem todo o mérito, mas acredito que o 'Sua Rima No Meu Beat' ajudou a impulsionar a carreira dela.”


Para além da realização profissional, as gravações realizaram sonhos pessoais. Um deles aconteceu recentemente, com a oportunidade de colaborar com o maior nome do Rap londrinense, Mano Fler.

“Era questão de tempo. Ele acompanhava o projeto, mas é um artista já consolidado. Depois que ele viu que meu trabalho é sincero, real, e que eu estava encostando nas favelas, no São Jorge, que é a quebrada dele, ele sentiu que era o momento. Ele viu que o projeto estava dando oportunidade real para os artistas da favela”, ressalta Hosken.


O presente é promissor, mas Lucas projeta um futuro de impacto. “Hoje em dia, a música é muito burocrática. Com as redes, eu consigo soltar uma música por dia, de forma simples. Já chegamos a gravar e lançar no mesmo dia. O objetivo é esse: causar impacto e desburocratizar.”


Seguindo o caminho de grandes produtores, como o carioca Papatinho, ele quer transformar suas produções na estrela da faixa, mostrando que o beatmaker também pode ter protagonismo. “Pretendo transformar o Hosken Beatz em um selo independente. Os projetos devem ter a minha estética.”


Por fim, ele revela os planos para 2026: o lançamento de diversas cyphers (músicas onde vários artistas rimam sobre o mesmo beat). “Já temos dois videoclipes prontos e sinto que vamos impactar muito o cenário. Estamos trabalhando com muito Rap raiz, com quem estava fora de evidência”, finaliza o produtor.

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