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Acusado de tentar matar ex-companheira retorna a júri em Londrina após absolvição

O caso foi julgado pela primeira vez em 2 de fevereiro de 2023
27 nov 2025 às 14:14
Por: Assessoria de Imprensa

O Néias – Observatório de Feminicídios Londrina acompanha nesta quinta-feira (27) a partir das 9 horas, o segundo julgamento do caso de tentativa de feminicídio triplamente qualificado contra Tatiane Pereira. O crime foi cometido pelo ex-companheiro, Manoel da Silveira, em 4 de dezembro de 2021, no Jardim União da Vitória, em Londrina.


O caso foi julgado pela primeira vez em 2 de fevereiro de 2023. Na ocasião, mesmo após reconhecerem a tentativa de homicídio, os jurados optaram por absolver o réu. Diante de inconsistências na votação, o Ministério Público recorreu e o julgamento foi anulado, retornando agora ao Tribunal do Júri. Com o resultado do primeiro julgamento, Manoel, que estava preso havia mais de um ano, foi solto no mesmo dia.


Detalhes do Caso e Acusações


Segundo os autos, Manoel invadiu a residência de Tatiane por volta das 5 horas da manhã, na sua segunda visita à casa durante a madrugada. A vítima dormia com a filha de 11 anos no momento do ataque.

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O agressor utilizou uma faca, atingindo o pescoço de Tatiane enquanto afirmava que a mataria. A violência ocorreu dias após a vítima iniciar um novo relacionamento, embora estivessem separados há nove anos.


O Ministério Público acusa Manoel de tentativa de homicídio com três qualificadoras:


Feminicídio


Motivo torpe


Recurso que dificultou a defesa da vítima


O réu também é acusado pela agravante de o crime ter sido cometido na presença de descendente (a filha da vítima).


Posição do Observatório Néias


Para o Néias, o caso de Tatiane "evidencia mais uma vez a minimização da violência feminicida", frequentemente relativizada por narrativas que mencionam consumo de álcool ou apresentam agressores como homens fragilizados.


O Observatório enfatiza que o uso abusivo de substâncias não deve servir como justificativa para atentados contra a vida das mulheres. Segundo a entidade, o álcool não é a causa, mas sim um elemento que "aciona uma motivação previamente existente, como sentimento de posse e de superioridade."


O Néias manifesta preocupação com o padrão de controle e posse que permeia o caso: Tatiane foi atacada logo após iniciar um novo relacionamento, reforçando o risco enfrentado por mulheres que rompem vínculos com antigos parceiros e buscam seguir suas vidas.

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