Dinheiro que poderia pagar contas, abastecer o supermercado, movimentar o comércio ou até ser guardado para o futuro. Cada vez mais, parte do orçamento de algumas famílias brasileiras tem sido destinada às plataformas de apostas on-line, um mercado que cresce rapidamente e já acende um alerta entre especialistas em finanças.
O consultor financeiro Maico Sullivan, ligado ao Núcleo de Investimentos e Mercados de Capitais da Associação Comercial e Industrial de Cascavel (ACIC), afirma que a facilidade de acesso aos aplicativos de apostas tem feito muitas pessoas perderem a percepção dos riscos envolvidos.
Segundo ele, o problema aparece principalmente quando o dinheiro destinado às necessidades básicas começa a ser usado na tentativa de recuperar valores perdidos ou alcançar um lucro rápido.
A Débora conhece de perto essa realidade. Durante um período, ela também apostava, mas percebeu que a promessa de ganho fácil poderia comprometer sua organização financeira. Antes que a situação saísse do controle, decidiu interromper o hábito.
Para Maico, os impactos podem atingir não apenas quem aposta, mas toda a estrutura familiar. O consultor relata já ter acompanhado casos em que dívidas provocadas por jogos ultrapassaram R$ 1 milhão.
O crescimento das apostas também levanta discussões sobre educação financeira. Para especialistas, entender limites, planejar os gastos e reconhecer os sinais de perda de controle são medidas fundamentais para evitar que uma atividade vista inicialmente como lazer se transforme em um grande problema.
A recomendação é que qualquer valor destinado às apostas seja tratado como um gasto de entretenimento, nunca como uma forma de investimento ou renda.