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Depois da corrida pela IA, empresas começam a cobrar retorno sobre o investimento

22 jul 2026 às 11:48

Nos últimos dois anos, a inteligência artificial tornou-se prioridade nas estratégias de inovação de empresas de todos os portes. O desafio agora é outro. Depois da fase de experimentação, cresce a pressão para que os investimentos deixem de produzir apenas ganhos pontuais de produtividade e passem a gerar impacto mensurável sobre custos, eficiência operacional e resultados financeiros.


Essa mudança de foco acompanha um movimento observado em diferentes mercados. Levantamento do Boston Consulting Group (BCG) mostra que quatro em cada dez usuários frequentes de inteligência artificial economizam pelo menos um dia de trabalho por semana com o uso da tecnologia. O estudo, porém, aponta um novo gargalo: transformar esse tempo recuperado em ganhos efetivos para o negócio.


Na prática, isso significa que gerar textos, responder e-mails ou automatizar tarefas isoladas deixou de ser suficiente. O mercado passou a buscar projetos capazes de conectar sistemas, eliminar etapas manuais e reorganizar processos inteiros dentro das empresas.


Foi esse caminho adotado pela fabricante paranaense KAPAZI, que implantou uma arquitetura baseada em inteligência artificial para integrar atendimento, marketing, vendas, comércio eletrônico e gestão empresarial em uma única operação digital.


Em vez de atuar apenas como um assistente virtual, a plataforma passou a conectar informações entre diferentes sistemas utilizados pela empresa, permitindo que dados circulassem em tempo real entre as áreas comercial, atendimento, produção e marketing. A integração reduziu tarefas repetitivas, eliminou retrabalho e automatizou etapas que antes dependiam de intervenção humana.


Segundo a empresa, a mudança reduziu em 62% o tempo de resposta aos clientes e pode gerar uma economia estimada em mais de R$ 400 mil por ano, resultado obtido pela racionalização de processos e pelo aumento da eficiência operacional.


A solução foi desenvolvida pela BW8 Martech utilizando uma arquitetura que integra plataformas já consolidadas no mercado, como TOTVS Protheus, RD Station Marketing, RD Station Conversas, WhatsApp, comércio eletrônico e agentes de inteligência artificial. Em vez de substituir os sistemas existentes, a proposta foi fazer com que eles passassem a operar de forma integrada, compartilhando informações automaticamente e reduzindo a necessidade de lançamentos e consultas manuais.


Segundo Willian Crizostimo, CEO da BW8 Martech, o mercado começa a entrar em uma nova fase da adoção da inteligência artificial, em que a discussão deixa de ser quais ferramentas utilizar e passa a ser quais resultados elas conseguem entregar.


"Nos primeiros anos da IA generativa, muitas empresas adotaram soluções para aumentar a produtividade individual. Agora a discussão mudou. O investimento precisa aparecer nos indicadores da empresa. O ganho acontece quando a inteligência artificial deixa de funcionar como uma aplicação isolada e passa a integrar processos, sistemas e pessoas em uma única operação."


Na avaliação do executivo, essa mudança altera também a forma como projetos de transformação digital são conduzidos. Em vez da implantação de ferramentas independentes para cada departamento, cresce a procura por arquiteturas capazes de conectar diferentes plataformas corporativas e automatizar jornadas completas, do primeiro contato com o cliente até a gestão das informações dentro da empresa.


Para especialistas do setor, essa tende a ser a próxima etapa da inteligência artificial nas organizações. Depois da corrida para incorporar modelos generativos ao dia a dia das equipes, o foco passa a ser a integração entre sistemas e a capacidade de produzir ganhos financeiros consistentes, condição que deve definir quais projetos continuarão recebendo investimentos nos próximos anos.

 

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