Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (15) uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados para o país. A medida foi assinada pelo presidente norte-americano Donald Trump e entra em vigor no dia 22 de julho.
Segundo o governo dos Estados Unidos, a decisão tem como justificativa uma suposta adoção de práticas comerciais consideradas desleais pelo Brasil. Entre os argumentos apresentados estão questões envolvendo o Pix, o acesso ao mercado de etanol, além de temas relacionados à corrupção e ao desmatamento.
De acordo com Washington, a tarifa busca proteger os interesses econômicos dos Estados Unidos e corrigir desequilíbrios nas relações comerciais entre os dois países.
A lista de produtos atingidos é ampla e inclui setores como etanol, máquinas agrícolas, roupas, calçados e materiais elétricos. Por outro lado, alguns produtos importantes da pauta de exportação brasileira, como café, laranja, suco de laranja e carne bovina, ficaram fora da cobrança adicional.
O governo brasileiro reagiu à decisão e divulgou uma nota em que manifesta preocupação com os possíveis impactos da medida. Segundo o Palácio do Planalto, a tarifa pode afetar não apenas as empresas exportadoras, mas também outros setores da economia e, de forma indireta, os consumidores.
O Brasil informou que pretende utilizar a Lei de Reciprocidade Econômica, além de buscar medidas por meio dos mecanismos de solução de conflitos da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Para especialistas do mercado, a disputa tem forte componente político, além das questões comerciais. A avaliação é de que as tarifas fazem parte de um cenário de tensão nas relações entre os dois países.
Apesar do anúncio, o governo norte-americano afirmou que continua aberto a novas negociações com o Brasil. Segundo Washington, as conversas realizadas ao longo do último ano não foram suficientes para resolver as divergências existentes.
A nova tarifa deve começar a valer na próxima semana e passa a ser acompanhada pelo setor produtivo brasileiro, que avalia os possíveis efeitos sobre exportações, empregos e preços.