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Família de motociclista morto em racha cobra júri popular

16 jul 2026 às 17:11

Um ano e cinco meses após o trágico acidente que tirou a vida do motociclista Ivan Uesley Francisco Santos, a família da vítima trava uma nova e exaustiva batalha nos tribunais. O processo criminal que apura as responsabilidades pela colisão fatal ainda se encontra em sua fase inicial, gerando cobranças por celeridade e punição aos envolvidos.


Com exclusividade, a defesa técnica da família detalhou a estratégia jurídica adotada para que os motoristas acusados de causar a colisão sejam submetidos ao julgamento pelo Tribunal do Júri.


Ivan tinha 36 anos de idade e trabalhava diariamente como entregador. Na noite em que perdeu a vida, ele trafegava regularmente pela Rua Natal quando, ao tentar cruzar a Avenida Leste-Oeste, foi violentamente atingido por uma caminhonete.


De acordo com a denúncia do Ministério Público, dois veículos de grande porte disputavam uma competição automobilística ilegal — o conhecido "racha" — em alta velocidade pela avenida no momento do impacto. Com a força da colisão, a motocicleta de Ivan ficou completamente destruída. Após o atropelamento, ambos os motoristas envolvidos na disputa fugiram do local sem prestar nenhum tipo de socorro à vítima.


Dolo eventual e a tese de homicídio doloso


Para o assistente de acusação e para os familiares de Ivan, a dinâmica dos fatos demonstra de forma clara que os motoristas, ao apostarem corrida em uma importante via urbana de Londrina, assumiram voluntariamente o risco de causar um acidente com morte (dolo eventual).


Por essa razão, a defesa pede a desclassificação do crime de homicídio culposo (sem intenção de matar) para homicídio doloso (com intenção ou assunção do risco), crime de competência do Tribunal do Júri e que prevê penas muito mais severas em caso de condenação.


Ação de indenização travada e busca por paradeiro


Paralelamente ao andamento do processo criminal, a família do trabalhador ingressou com uma ação de indenização cível para tentar obter a reparação dos severos danos materiais e morais decorrentes do óbito. No entanto, o processo de natureza cível encontra-se estagnado. Segundo o advogado, a Justiça não tem conseguido dar andamento aos trâmites porque os réus não foram localizados nos endereços fornecidos para receber as citações judiciais.


Para os pais e parentes de Ivan, a morosidade da Justiça e a falta de responsabilização prática dos culpados prolongam o luto e a dor provocados pela perda repentina do entregador. A expectativa do núcleo familiar reside na desarticulação de recursos protelatórios e no julgamento rigoroso dos condutores pelas instâncias cabíveis.

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