A busca por tratamentos especializados tem levado famílias do Paraguai a atravessar a fronteira em direção ao Brasil. Um dos exemplos é o da pequena María Eugenia Fariña Uriarte, de 7 anos, que viajou até Londrina para realizar uma cirurgia indicada para pacientes com paralisia cerebral.
O procedimento, chamado de rizotomia dorsal seletiva, foi realizado no fim de julho e a criança já está em fase de recuperação. O caso representa uma realidade cada vez mais comum de pacientes paraguaios que procuram atendimento especializado na cidade.
Diagnóstico veio após primeiros sinais na infância
Segundo a mãe, María Victoria Uriarte, os primeiros sinais de que havia algo diferente apareceram quando a filha tinha apenas seis meses de idade.
Inicialmente, a família recebeu a informação de que o desenvolvimento poderia estar dentro da normalidade. Meses depois, uma tomografia apontou uma lesão cerebral. Após consultas com diferentes especialistas no Paraguai e também em Foz do Iguaçu, veio o diagnóstico de paralisia cerebral nível 3.
Durante a pandemia, com as dificuldades de deslocamento, a família intensificou as sessões de fisioterapia, o que ajudou María Eugenia a conquistar avanços no desenvolvimento motor. Ela começou a engatinhar após os dois anos de idade e passou a receber acompanhamento multidisciplinar.
Tratamento em Londrina busca ampliar autonomia
A indicação para procurar o neurocirurgião pediátrico Alexandre Casagrande Canheu, em Londrina, veio da fisioterapeuta que acompanha a menina.
Para conseguir realizar o tratamento, a família organizou campanhas e recebeu apoio de pessoas que ajudaram a viabilizar a viagem e o procedimento.
De acordo com o especialista, a rizotomia dorsal seletiva é indicada para pacientes avaliados individualmente e tem como objetivo principal reduzir a espasticidade, que é o aumento da rigidez muscular causado pela paralisia cerebral.
A cirurgia atua interrompendo seletivamente fibras nervosas responsáveis pelo aumento do tônus muscular. Quando associada a um processo intensivo de reabilitação, pode contribuir para ganhos de mobilidade, funcionalidade e independência.
Londrina recebe pacientes de outros países
A paralisia cerebral é considerada a deficiência motora mais comum na infância. Dados do Registro Brasileiro de Paralisia Cerebral apontam que cerca de 500 mil brasileiros convivem com a condição.
No mundo, a estimativa é de aproximadamente 18 milhões de pessoas com paralisia cerebral.
Segundo o neurocirurgião, a procura por atendimento em Londrina por famílias do Paraguai tem aumentado nos últimos anos.
“Recebo anualmente diversos pacientes do Paraguai. Eles vêm em busca de cirurgia e tratamento, muitas vezes já tendo passado por médicos de outras localidades”, explicou.
Para a mãe de María Eugenia, o procedimento representa uma nova etapa na trajetória da filha.
A expectativa da família é que a cirurgia ajude a menina a conquistar ainda mais independência e qualidade de vida.