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Gaeco mira esquema de loteamentos clandestinos em Ibiporã

Segunda fase da Operação Miragem apura lavagem de dinheiro, fraude processual e ameaças contra autoridades ligadas à fiscalização de loteamentos clandestinos em Ibiporã
02 jun 2026 às 08:25
Por: Portal Tarobá com Assessoria de Imprensa

O Ministério Público do Paraná (MPPR) deflagrou, na manhã desta terça-feira (2), a segunda fase da Operação Miragem, que investiga uma suposta organização criminosa ligada à exploração de loteamentos clandestinos em Ibiporã, no Norte do Paraná.


A ação foi conduzida pelo Núcleo Regional de Londrina do Gaeco, em conjunto com a 1ª Promotoria de Justiça de Ibiporã, e resultou no cumprimento de mandados de prisão preventiva, busca e apreensão e busca pessoal.


As investigações apuram crimes de:


  • parcelamento irregular do solo;
  • lavagem de dinheiro;
  • falsidade ideológica;
  • fraude processual;
  • além de ameaças e intimidações contra autoridades públicas e agentes de fiscalização.

Segundo o MPPR, um dos principais investigados liderava a implantação e comercialização do loteamento clandestino Recanto Água Bonita, localizado em área rural de Ibiporã.


O empreendimento ilegal teria área total de 68.100 metros quadrados, divididos irregularmente em 62 lotes de aproximadamente mil metros quadrados cada, vendidos sem licença ambiental ou autorização urbanística.

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Outro investigado seria responsável pelo loteamento clandestino Recanto dos Sonhos, também em área rural do município. O local possuía cerca de 36.300 metros quadrados subdivididos em 23 lotes comercializados irregularmente.


Fraude processual e destruição de provas


De acordo com o Ministério Público, mesmo após decisão judicial que determinava a paralisação imediata das atividades e a apresentação dos contratos dos compradores, os investigados teriam escondido e destruído provas.


As apurações indicam que contratos físicos foram levados clandestinamente para um sítio na zona rural e arquivos digitais armazenados em nuvem teriam sido apagados.


Os investigados ainda teriam informado falsamente à Justiça que os documentos foram perdidos devido a uma suposta falha em disco rígido de computador.


Esquema de lavagem de dinheiro


Segundo o Gaeco, mesmo proibidos judicialmente de receber valores referentes aos lotes, os suspeitos continuaram cobrando parcelas das vítimas.


Para driblar bloqueios judiciais, o grupo teria criado uma empresa de fachada registrada em nome da irmã de um dos líderes do esquema.


Os compradores eram orientados a realizar pagamentos via Pix para contas ligadas à empresa “laranja” e também para o escritório de advocacia de uma investigada.


O rastreamento financeiro apontou sucessivas transferências eletrônicas para contas pessoais da própria advogada investigada.


Ameaças contra autoridades


As investigações revelaram ainda uma escalada de ameaças e intimidações contra autoridades públicas.

Segundo o MPPR, um dos investigados teria prometido “sumir literalmente” com o promotor responsável pelo caso.


As apurações também apontam monitoramento das redes sociais de familiares da autoridade e planos para possíveis aproximações.


Em conversas interceptadas, investigados e outros loteadores irregulares também teriam cogitado:

  • sequestrar fiscais municipais;
  • matar agentes públicos;
  • e até promover um atentado contra o Fórum de Ibiporã, com disparos contra o transformador de energia do prédio.

Bloqueio milionário


A Justiça determinou o bloqueio de valores, investimentos, aplicações financeiras e bens móveis e imóveis ligados aos investigados até o montante de R$ 3,5 milhões.


Segundo o Ministério Público, o objetivo é garantir eventual ressarcimento às 62 famílias lesadas, além do pagamento de multas e custas processuais.


As investigações seguem em andamento.

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