Cidade

Homem finge leucemia por 5 anos para dar golpe no Paraná

22 jun 2026 às 16:02

A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) indiciou nesta segunda-feira (22) um morador de Cambira (PR) pelo crime de estelionato. As investigações apontam que ele fingiu ter leucemia durante cinco anos para arrecadar dinheiro de forma fraudulenta através de vaquinhas virtuais, rifas, bazares beneficentes e doações diretas.


O dinheiro, que deveria ser integralmente destinado ao tratamento oncológico, era utilizado para financiar viagens, passeios e um estilo de vida de ostentação. Segundo o delegado Victor Hugo Torres Bento, da 17ª Subdivisão Policial (SDP) de Apucarana, o suspeito enganou inclusive os seus familiares mais próximos, que também realizaram transferências financeiras.


Perfil falso de médico e laudos forjados


O inquérito foi instaurado há algumas semanas após vítimas desconfiarem da falta de evolução ou de detalhes sobre o quadro clínico do homem. Para conferir credibilidade à farsa e dar continuidade ao golpe por meia década, o investigado falsificava documentos médicos de instituições renomadas.


"Verificamos que ele criou o perfil de um suposto médico através do aplicativo WhatsApp. Esse personagem realizava contatos com várias pessoas indicando o falso tratamento que o paciente estaria realizando e apontando a necessidade urgente de repasses financeiros para custear os procedimentos", detalhou o delegado Victor Hugo.


Viagens no lugar de quimioterapia


A farsa começou a ser desmontada quando a equipe de investigação oficiou os centros médicos nos quais o homem alegava realizar o tratamento, incluindo o Hospital do Câncer de Londrina, unidades de saúde em Cascavel e o Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Nenhuma das instituições de saúde possuía qualquer registro de prontuário ou atendimento em nome do suspeito.


A polícia cruzou os dados e descobriu que, nos períodos em que o homem alegava estar viajando para consultas ou sessões de quimioterapia, o destino real era o lazer:


  • São Paulo (SP): Roteiros gastronômicos em restaurantes de alto padrão, amplamente ostentados em suas redes sociais;

  • Penha (SC): Viagem de férias para o parque temático Beto Carrero World.


Confrontado pelos investigadores durante o interrogatório formal na delegacia, o homem confessou o crime e admitiu que nunca teve a doença.


Valores e chamamento de novas vítimas


Até o momento, o rastreamento bancário da Polícia Civil identificou cerca de R$ 5 mil obtidos de forma ilícita por meio de uma plataforma de vaquinha online e depósitos pontuais via Pix. No entanto, as autoridades avaliam que o montante global seja expressivamente maior, devido aos valores entregues em espécie pelo círculo familiar ao longo dos cinco anos.


O investigado responderá em liberdade pelos crimes de estelionato e falsidade ideológica. A Polícia Civil orienta que outros doadores lesados pela fraude — especialmente moradores dos municípios de Cambira, Mandaguari e Apucarana — procurem a sede da 17ª SDP para registrar o boletim de ocorrência. Cada contribuição financeira efetuada sob erro poderá ser contabilizada judicialmente como um novo crime de estelionato individualizado.

Veja Também