Um filhote de anta resgatado em estado grave nas proximidades da Mata da Fazenda do Bule, no distrito de São Luiz, em Londrina, está recebendo cuidados intensivos no Hospital Veterinário da UniFil. Com cerca de quatro meses de vida e pesando 44 quilos, o animal foi vítima de um ataque de cães de caça.
O resgate ocorreu na última sexta-feira (10 de julho) e foi conduzido pela médica veterinária Daniela Martina, com suporte de profissionais do hospital, da Polícia Ambiental e de produtores rurais da região.
A ação teve início após a proprietária de um sítio vizinho ouvir latidos incomuns. Ao se aproximar, ela flagrou a anta cercada pelos cães, conseguiu afastar os agressores e acionou a Polícia Ambiental, que repassou o caso ao HV da UniFil — instituição credenciada como CAFS (Centro de Apoio à Fauna Silvestre).
Resgate complexo e monitoramento na região
De acordo com a equipe veterinária, a contenção física do animal exigiu cuidado redobrado por ter sido realizada sem o uso de sedativos.
"Foi bem trabalhoso o resgate porque não teve sedação. Precisamos segurá-la no meio de uma plantação de trigo e percebemos que tinha vários machucados de mordidas e patadas dos cães. Já passou por exames, fizemos os curativos e segue em recuperação", relatou a veterinária Daniela Martina.
A coordenadora do Hospital Veterinário da UniFil alertou para os riscos do episódio. Ela explicou que a anta, espécie considerada em perigo de extinção, pode reagir de forma violenta e até fatal contra agressores quando se sente acuada ou para proteger sua prole.
A principal preocupação das autoridades locais no momento é o indício da presença ativa de caçadores na região da Fazenda do Bule, evidenciado pelo ataque dos cães de caça. A Polícia Ambiental informou que está monitorando a área para coibir práticas de caça ilegal.
Destino do animal
O filhote permanecerá sob cuidados intensivos no hospital veterinário até que esteja completamente reabilitado. Como as equipes de busca não conseguiram localizar a mãe nas imediações do local do resgate, caberá ao Instituto Água e Terra (IAT) do Paraná definir o destino do filhote após a sua alta clínica, avaliando a possibilidade de reintrodução gradual ao habitat natural ou encaminhamento a um santuário credenciado.