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Iles transforma óleo usado em ferramenta de inclusão

09 jul 2026 às 15:31

A ciência saiu das páginas dos livros didáticos para ganhar aplicação prática no laboratório do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (Iles), em Londrina. Por meio de um projeto pedagógico focado em sustentabilidade e inclusão, os alunos surdos estão utilizando óleo de cozinha usado para produzir sabão. A atividade serve como plataforma para o ensino integrado de química, biologia, matemática e língua portuguesa.


A iniciativa do Clube de Ciências foi estruturada para atender às especificidades cognitivas dos estudantes, cujo processo de aprendizagem é essencialmente baseado no estímulo visual. No laboratório, os alunos experimentam, manipulam os elementos e visualizam as reações químicas diretamente, facilitando a fixação de conteúdos teóricos que muitas vezes se tornam complexos apenas na leitura textual tradicional.


Metodologia em Libras e preparação para o mercado


Para romper os obstáculos educacionais, as aulas são ministradas integralmente em Libras (Língua Brasileira de Sinais), estabelecida como a primeira língua dos estudantes. A língua portuguesa é introduzida na sequência, como segundo idioma, associada diretamente aos experimentos.


Durante o processo de fabricação do sabão, os alunos desenvolvem competências técnicas e operacionais:

  • Matemática aplicada: Cálculo exato de proporções e volumes dos insumos.


  • Uso de instrumentos: Monitoramento térmico de precisão com o uso de termômetros.


  • Visão industrial: Compreensão do funcionamento de fábricas, automação e a importância do descarte correto de resíduos.


Além do aprendizado científico, a oficina tem como meta preparar os jovens para o mercado de trabalho e para o convívio autônomo em sociedade, estimulando o trabalho em equipe e a liderança.


Consciência ambiental e eficiência cognitiva


Além dos conceitos pedagógicos, a reciclagem do óleo de cozinha — que poderia contaminar milhares de litros de água se descartado incorretamente na rede de esgoto — desperta a consciência ambiental dos jovens, que aprendem a interpretar e relatar os resultados ecológicos do projeto.


Com uma trajetória de 30 anos dedicada à área educacional, a coordenação do projeto reforça que, ao eliminar as barreiras de comunicação, o rendimento dos estudantes é idêntico ao de alunos ouvintes.


"Eles aprendem, têm capacidade, perguntam, questionam e são curiosos demais. De deficiência não tem nada, eles são eficientes. A gente está aqui nessa escola para construir cidadãos", destaca o corpo docente do Iles.

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