Cidade

Londrina amplia o método Wolbachia para 44 novas áreas

03 jul 2026 às 16:45

O município de Londrina inicia em breve uma nova etapa no enfrentamento de arboviroses. Mosquitos Aedes aegypti reproduzidos com a bactéria Wolbachia, que impede a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya, serão liberados em 44 novas áreas da cidade. A previsão é que a soltura controlada dos insetos comece em agosto.


Para preparar a população e detalhar o funcionamento do mecanismo, servidores da Vigilância em Saúde do Município percorrem escolas, unidades básicas de saúde (UBSs) e prédios públicos dos bairros integrados à nova fase. O projeto é capitaneado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em cooperação com o Ministério da Saúde, e operacionalizado pela empresa Wolbito do Brasil.


A primeira fase da iniciativa na cidade, desenvolvida entre os anos de 2024 e 2025, abrangeu 129 setores geográficos, alcançando um contingente de 309 mil moradores. De acordo com indicadores oficiais, o reflexo das ações associado aos cuidados clínicos tradicionais gerou uma queda de 74% nas notificações de dengue em Londrina no primeiro quadrimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025.


Acolhimento na rede pública e educação


Durante os trabalhos informativos em campo, o agente de endemias Vandré Lucio dos Santos realizou panfletagens de orientação. Ele atuou no bairro Parigot de Souza, contemplado no lote anterior, e relatou perceber uma queda de mais de 50% na incidência de casos no local. Contudo, alertou que a inovação científica não anula a obrigação de eliminar focos de água parada em tambores e lixo doméstico.


O mutirão de conscientização passou pelas UBSs Centro e Vila Brasil, além de unidades de ensino como a Escola Municipal da Vila Brasil e o Colégio Estadual Cívico-Militar Newton Guimarães. Profissionais da rede pública de saúde demonstraram otimismo, relatando que a proliferação habitual de vetores em temporadas quentes sobrecarrega as consultas, estoques de medicamentos e a aplicação de soro.


Mecanismo biológico e sem alteração genética


O processo consiste em introduzir nos mosquitos a Wolbachia, um microrganismo presente naturalmente em cerca de 60% dos insetos do planeta. A presença da bactéria impossibilita o desenvolvimento interno dos agentes patogênicos causadores de infecções.


Características centrais da metodologia:


  • Propagação biológica: Ao copularem com a população de insetos nativos, os espécimes portadores transferem a bactéria de forma natural para os seus descendentes;

  • Biossegurança: A tecnologia é segura, dispensa o uso de componentes químicos e não configura modificação transgênica;

  • Histórico de sucesso: Em municípios fluminenses como Niterói, a implantação do sistema reduziu o contágio de dengue em patamares próximos a 70%.


Após a conclusão dos cronogramas informativos institucionais, técnicos especializados iniciarão rotinas de solturas semanais por meio de veículos adaptados em todas as regiões mapeadas.

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