A história de Londrina foi construída sob a sombra dos cafezais. Em meados do século passado, a cidade conquistou o título de Capital Mundial do Café, impulsionada pela riqueza gerada pelo chamado ouro verde.
Com o passar dos anos, os extensos cafezais deram lugar ao crescimento urbano. Em 1975, uma das maiores geadas da história devastou a produção cafeeira do Norte do Paraná. Estima-se que cerca de 580 milhões de pés de café tenham sido destruídos, encerrando um dos ciclos econômicos mais importantes da região.
Apesar da perda da produção em larga escala, a ligação dos londrinenses com o café permaneceu viva e continua presente na identidade da cidade.
Essa herança pode ser percebida em diversos espaços públicos e privados. O Teatro Ouro Verde, cujo nome faz referência ao café, o Estádio do Café, o Shopping Catuaí — nome de uma variedade de café — e hotéis como Sumatra e Bourbon, batizados em homenagem a cultivares da bebida, reforçam essa conexão histórica.
Mais do que parte da paisagem, o café também permanece na memória afetiva da população. No Museu do Café, visitantes frequentemente reconhecem objetos utilizados no preparo da bebida e compartilham lembranças de um cotidiano marcado pelo hábito de torrar e coar café em casa.
Ao longo das décadas, essa tradição ganhou novos significados. A nova geração de consumidores passou a explorar diferentes formas de apreciar a bebida, impulsionando o mercado dos cafés especiais.
Hoje, cafeterias oferecem combinações que vão além do café tradicional, como bebidas com água tônica, caramelo salgado e outras harmonizações, atraindo um público cada vez mais diversificado. Ao mesmo tempo, preservam sabores que remetem às receitas preparadas por mães e avós, mantendo viva a relação afetiva com a bebida.
Festival reforça a paixão pelo café
O café também deixou de ser apenas um acompanhamento para o bolo da tarde e passou a integrar experiências gastronômicas completas. Harmonizações com queijos, métodos de preparo diferenciados, concursos de qualidade, festivais e a valorização dos baristas consolidaram uma nova cultura em torno da bebida.
Um dos principais exemplos dessa transformação é o Brasil Coffee Festival, realizado em várias cidades. A edição deste ano em Londrina começou no dia 10 de julho e segue até 26 de julho, reunindo cafeterias com menus especiais, produtores, especialistas e apreciadores da bebida em uma programação que celebra a cultura do café, promove experiências sensoriais e fortalece o mercado dos cafés especiais.
O festival reforça que, mesmo após o fim dos grandes cafezais, o vínculo dos londrinenses com o grão permanece vivo. Mais do que um evento gastronômico, o Brasil Coffee Festival evidencia como a cidade soube transformar sua herança cafeeira em um novo movimento, pautado pela inovação e pela aproximação entre consumidores.
Se antes o café remetia principalmente às lavouras, hoje ele representa também conexão e gastronomia. O crescimento do mercado de cafés especiais tornou o consumo mais dinâmico e ampliou a presença da bebida em cafeterias e estabelecimentos especializados.
Mesmo com tantas transformações, uma tradição permanece inalterada. Seja em uma xícara de café especial, com notas florais e sensoriais, ou no tradicional cafezinho passado na hora, a bebida continua sendo um dos principais símbolos da hospitalidade londrinense.