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Prefeitura e UEL definem projeto de enfrentamento à superpopulação de pombos

Proposta passará por deliberação no Consemma e prevê caixas de captura em áreas afastadas, manejo e abate humanizado; operações visam participação de cooperativas e empresas cadastradas
23 mai 2026 às 11:31
Por: Assessoria de Imprensa
Foto: Emerson Dias/N.com

Para viabilizar a redução da superpopulação de pombas-amargosas (Zenaida auriculata) no centro da cidade, a Prefeitura de Londrina desenhou uma estratégia. Trata-se de um projeto entre a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) e a Universidade Estadual de Londrina (UEL) que prevê o abate humanizado dessa espécie com uso de caixas de contenção para captura instaladas em cooperativas agrícolas da região — locais onde as aves se concentram para se alimentar dos grãos armazenados. O projeto está em pauta para votação no Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma) na próxima segunda-feira (25), com deliberação em sessão ordinária do órgão.


A ação integra um projeto com duração prevista de 12 meses coordenado pelo Professor Dr. Mário Luís Orsi, do Laboratório de Ecologia Aquática e Conservação de Espécies Nativas (LEACEN) da UEL. Os quatro primeiros meses devem ser dedicados ao levantamento populacional, e os oito meses seguintes focados na captura e abate. Foram aproximadamente três meses de elaboração do projeto, a partir de reuniões entre as instituições iniciadas em agosto de 2025.


O formato de abate sugerido, caso a proposta seja validada, será conduzido por empresas devidamente cadastradas e autorizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em locais afastados da área urbana, com destinação correta das carcaças. Se o projeto for aprovado, o modelo de captação de recursos será estudado entre o Município e o Consemma, não havendo ainda uma previsão de início efetivo das operações.


A intenção é trazer soluções práticas para resolver um problema crônico, ambiental e urbano, de várias décadas em Londrina, dado o potencial risco de transmissão de doenças, efeitos nocivos das fezes das aves, degradação urbana e outros prejuízos à biodiversidade. O uso de caixas de contenção que se pretende utilizar nas cooperativas é apenas para a captura dos pombos, o que ocorreria em conjunto com a UEL. Posteriormente, o denominado abate humanizado compreende procedimentos técnicos e científicos para garantir o bem-estar animal, eliminando a dor, o medo e minimizando o estresse.


Inicialmente, a Prefeitura listou mais de 40 empresas (cooperativas e áreas de transbordo de grãos) para realizarem planos de manejo dos pombos. O projeto prevê o uso de 25 caixas de contenção e armadilhas. Um censo populacional para levantar a estimativa de pombas será feito antes das etapas operacionais.

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Para o secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, a questão antiga envolvendo as pombas vai além do incômodo urbano e envolve riscos diretos à saúde pública. “O que está sendo discutido é o controle populacional de uma espécie que se encontra em desequilíbrio ecológico. A proliferação exacerbada desses animais sinantrópicos traz riscos consideráveis à saúde humana — em especial a histoplasmose e a criptococose. A população precisa ser controlada com a finalidade de reduzir os riscos à população londrinense e diminuir a possibilidade de contaminação dos nossos córregos, rios e lagos, considerando a necessidade de limpeza diária”, afirmou.


O biólogo Samuel Ávila Lorenço, integrante da equipe técnica do projeto e mestrando da UEL, informou que a escolha pelas cooperativas é estratégica. “O abate humanizado será feito com caixa de contenção em locais distantes da cidade, como na parte industrial, onde as pombas saem para se alimentar”, disse. Segundo ele, a medida melhora as condições fitossanitárias e reduz os prejuízos nas cooperativas.


Novo censo apontará panorama


Antes do início do abate, a equipe da UEL realizará um censo populacional em quatro praças da região central — entre as quais o entorno do Bosque Municipal Marechal Cândido Rondon, principal dormitório das aves na cidade —, para dimensionar a população atual e orientar a escala das ações.


Iniciativas anteriores de controle, incluindo propostas de manejo autorizadas pelo Ibama, não apresentaram resultados satisfatórios. Em 2004, um censo estimou cerca de 170 mil pombas somente no período noturno na região central. Embora o projeto inicial seja avaliado em nível municipal pelo Consemma, a etapa dos abates ainda precisará passar pela validação de órgãos federais e estaduais, como o Ibama e o Instituto Água e Terra (IAT).

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