Os professores da Rede Municipal de Ensino de Cascavel, no Oeste do Paraná, deliberaram pela manutenção do indicativo de greve em Assembleia Geral Extraordinária realizada nesta segunda-feira (15). Reunida na sede do Siprovel (Sindicato dos Professores Municipais de Cascavel), a categoria aprovou um calendário de mobilizações contra a falta de propostas da administração pública, culminando em um ato público agendado para o final do mês.
A decisão dos docentes surge como reação às negociações com a gestão do prefeito Renato Silva. Segundo a liderança sindical, em reunião realizada no último dia 9, o Executivo não formalizou respostas oficiais às reivindicações e limitou-se a publicar anúncios informais em redes sociais minutos antes de receber a comissão de trabalhadores.
Além do reajuste salarial, a plenária do magistério denunciou problemas estruturais crônicos na educação municipal, que incluem:
Déficit no quadro de servidores e sobrecarga de trabalho;
Precarização no atendimento aos alunos da Educação Especial;
Obstáculos no cumprimento integral do tempo destinado à hora-atividade.
Sindicato contesta justificativa fiscal do município
Para fundamentar o não pagamento do Piso Nacional do Magistério, a prefeitura tem alegado entraves jurídicos no STF (Supremo Tribunal Federal) e a proximidade do limite prudencial estabelecido pela LRF (Lei de Responsabilidade Fiske). O Siprovel, contudo, contesta os argumentos com base nos relatórios de prestação de contas do próprio município.
Os dados financeiros apontam que a despesa líquida com pessoal em Cascavel compromete 50,54% da Receita Corrente Líquida, mantendo-se abaixo do teto prudencial de 51,3%. A margem atual garante uma folga de aproximadamente R$ 13,6 milhões aos cofres públicos.
O sindicato destaca ainda um incremento na arrecadação municipal impulsionado pela revisão da Planta Genérica de Valores. No primeiro quadrimestre de 2026, o recolhimento do IPTU disparou 43,5%, saltando para R$ 83,7 milhões frente aos R$ 18,8 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. Paralelamente, a RCL obteve um crescimento real de 3,94%, já descontados os índices inflacionários.
Defasagem salarial atinge R$ 874 por jornada
De acordo com a federação, o descumprimento das diretrizes federais faz com que um professor com jornada de 40 horas semanais em Cascavel receba R$ 874,74 a menos no vencimento inicial em relação ao Piso Nacional. Para expor o impacto individual, a entidade disponibilizou em seu portal eletrônico a ferramenta "Calculadora de Perdas".
Como próximo passo estratégico, o funcionalismo marcou um protesto com a comunidade escolar para o dia 25 de junho, às 18h, em frente ao Paço Municipal.
"Caso a prefeitura não apresente uma proposta oficial e satisfatória para as demandas, uma nova assembleia será convocada para a deflagração da greve", alertou a presidenta do Siprovel, a professora Gilsiane Quelin Peiter.