O pedido para a abertura de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar o prefeito Thiago Amaral gerou um embate político intenso nos bastidores do Legislativo. O requerimento, que apura o suposto uso irregular de verbas carimbadas, foi retirado de pauta na última sessão, mas tem retorno confirmado para os debates desta quinta-feira (9).
Em entrevista, a vereadora Michele Tomazinho, uma das parlamentares que assinam o documento, detalhou as justificativas da oposição para adiar o procedimento e denunciou o que classificou como "manobra política" articulada pela base governista.
Denúncia de manobra na ausência do autor
De acordo com a parlamentar, o requerimento não estava previsto para a ordem do dia anterior devido ao fechamento antecipado da pauta oficial. Contudo, o presidente da Casa, Emanuel Gomes, anunciou a votação em regime de urgência aproveitando-se da ausência do autor principal do pedido, o vereador Deivid Wisley, que cumpria agenda externa.
"Ficou claro que, a partir desse momento, houve manobras para que o pedido entrasse de forma de urgência, haja vista que nós tínhamos um vereador a menos. É um fato que foi uma manobra, porque não havia o interesse por parte da base, do prefeito, que houvesse a abertura da comissão", afirmou a vereadora Michele Tomazinho.
A parlamentar esclareceu que a retirada estratégica do projeto por uma sessão não significa desistência, mas uma medida para garantir que o quórum estivesse completo.
"Nós não estamos retirando o pedido de abertura da comissão, retiramos por apenas uma sessão para que todos os vereadores estivessem aqui para poder participar da votação", pontuou.
Apuração de desvio de finalidade de recursos
O foco central da comissão investigativa é apurar indícios apontados pelo MP (Ministério Público) sobre o desvio de finalidade na aplicação de recursos financeiros do Fundo Municipal do Meio Ambiente e do ICMS Ecológico. A suspeita é de que o Poder Executivo tenha transferido montantes destinados à área ambiental para cobrir gastos operacionais de outras secretarias.
"O objetivo é trazer transparência. Saber sobre todo esse processo que o Ministério Público aponta no seu documento, um desvio de finalidade do recurso do Fundo do Meio Ambiente para outras pastas. O Executivo alega que é permitido por lei, entretanto, foi utilizado para cobrir despesas correntes, e não para investimento", explicou Tomazinho.
A vereadora reforçou que o papel constitucional do Poder Legislativo é fiscalizar o emprego do dinheiro público e que a comissão servirá para trazer esclarecimentos técnicos à população, sem julgamentos antecipados.
A liderança que representa a base do prefeito Thiago Amaral no plenário, exercida pela vereadora Flávia Cabral, foi procurada pela equipe de reportagem para apresentar a versão do município, mas não pôde atender aos questionamentos devido a compromissos agendados previamente.