Economia

Desemprego entre mulheres negras jovens chega a 24,7%, diz estudo

05 jun 2026 às 15:37

Apesar da queda geral no desemprego e do aumento na renda média dos trabalhadores no Brasil, as jovens mulheres negras continuam enfrentando os piores indicadores do mercado de trabalho. Os dados são de um relatório da Rede Multiatores MUDE com Elas, desenvolvido pelo Ceert (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades) com base em dados do IBGE. O levantamento comprova que o avanço na educação formal ainda não é suficiente para quebrar as barreiras do racismo estrutural contra a população feminina e negra entre 14 e 29 anos.


A desigualdade começa logo na busca pelo primeiro emprego. Na faixa de 14 a 17 anos, a taxa de desocupação das mulheres negras atinge 24,7%, número 1,4 vez maior do que o de homens brancos da mesma idade. Entre os 18 e 24 anos, período de transição para o mercado formal, o desemprego para elas fica em 16,5%. O abismo se consolida na faixa de 25 a 29 anos, onde a taxa de desocupação das jovens negras é de 10,3% — quase o dobro do registrado para mulheres brancas e quase três vezes superior à dos homens brancos. Fatores como a discriminação em processos seletivos e a sobrecarga com o trabalho doméstico não remunerado explicam essa exclusão.


Desigualdade de salários, informalidade e desalento


Os reflexos desse cenário aparecem diretamente nos salários e na qualidade das vagas ocupadas pelas jovens:


  • Abismo salarial: O rendimento médio das mulheres negras equivale a apenas 46,5% do recebido por homens brancos. Na Grande São Paulo, enquanto um homem branco de 25 a 29 anos ganha em média R$ 5.323, uma mulher negra na mesma faixa etária e região recebe R$ 2.569;

  • Alta informalidade: O índice de informalidade (trabalho sem carteira assinada) entre as jovens negras atinge 39,1%, ficando cerca de 10% acima do verificado entre as brancas;

  • Desalento: As mulheres negras representam 38,7% do total de jovens desalentados (aqueles que desistiram de procurar emprego por falta de oportunidades). O índice chega ao pico de 44,2% no grupo de mulheres negras de 25 a 29 anos.


O estudo do Ceert conclui que, embora as cotas raciais no ensino superior sejam fundamentais, o país precisa de políticas públicas complementares urgentes. Pesquisadores defendem a ampliação de vagas em creches públicas para desonerar as mães, programas de qualificação focados na juventude negra, a fixação de metas de diversidade no setor privado e investimentos em transporte de qualidade nas periferias urbanas.

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