Economia

Petróleo desaba quase 5% após Trump anunciar cessar-fogo entre EUA e Irã

15 jun 2026 às 17:33

O mercado global de energia registrou uma forte retração nesta segunda-feira (15). Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda acentuada, com a commodity operando na faixa dos US$ 80 por barril, impulsionados pela aproximação de um acordo provisório que sinaliza o fim das hostilidades no Oriente Médio.


O alívio nas tensões geopolíticas ganhou força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmar a total reabertura do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas de escoamento de combustível do planeta — a partir da próxima sexta-feira.


Nesta segunda-feira, os contratos para o petróleo WTI, para julho, fechou em queda de 4,86%, recuo de US$ 4,13, cotado a US$ 80,75 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex). Já os contratos de petróleo brent, para agosto, encerrou em baixa de 4,76% (recuo de US$ 4,16), negociado a US$ 83,17 o barril na Intercontinental Exchange (ICE) de Londres.


A expressiva desvalorização da commodity reflete o anúncio conjunto feito no domingo por Donald Trump e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. Ambos confirmaram que Washington e Teerã costuraram um acordo de cessar-fogo. Esta trégua abre uma janela de negociações para os próximos 60 dias, período no qual as potências tentarão estabelecer o encerramento definitivo do conflito.


Segundo o presidente norte-americano, o pacto diplomático está prestes a ser chancelado oficialmente na Suíça. Entre os principais termos acordados, ficou definida a isenção de qualquer cobrança de "pedágio" no Estreito de Ormuz por pelo menos dois meses. Em contrapartida, haverá um "policiamento rigoroso" internacional sobre o governo iraniano e o avanço de seu programa nuclear.


Pelo lado de Teerã, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, declarou que os detalhes finais dos aspectos diplomáticos com os EUA serão divulgados em breve. Baghaei informou ainda que a agenda oficial inclui viagens estratégicas por nações vizinhas da região antes do encontro decisivo em Genebra para a assinatura do tratado.


O que prevê o acordo final?

Caso as negociações bilaterais avancem sem percalços na janela estipulada, o documento final autorizará a suspensão completa das sanções econômicas impostas pelos EUA ao Irã, além da repatriação de mais de US$ 12 bilhões adicionais em ativos iranianos que atualmente se encontram congelados no exterior.

Como contrapartida crucial, Teerã assumirá o compromisso formal de não desenvolver armas atômicas. Em entrevista ao New York Times, Trump ponderou que o Irã terá permissão para enriquecer urânio estritamente a patamares que sirvam "para fins não militares".

Apesar do otimismo inicial do mercado financeiro, analistas pedem cautela quanto aos desdobramentos de longo prazo. "Embora o acordo seja uma notícia muito boa para os mercados, parece que conversas difíceis terão de ocorrer na janela de 60 dias para garantir que a paz seja sustentável", alertou Jim Reid, estrategista global do Deutsche Bank.

Reid destacou também um ponto de atenção para os investidores: o alívio definitivo das sanções econômicas contra o Irã dependerá obrigatoriamente de uma validação política interna no Senado dos Estados Unidos.

*Com informações da Dow Jones Newswires/Agência Estado

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