A
Copa do Mundo ocorre só de quatro em quatro anos. Então, o melhor é curtir cada
momento. É assistir um jogo em sequência do outro. Detalhe: todos jogos de
altíssimo nível. Então é bom comum que, depois que a Copa acabar e retomarmos a
rotina de acompanharmos jogos do Campeonato Brasileiro, sentiremos aquela decepção,
aquele desapontamento, pois a grandeza dos jogos não é mais a mesma de uma Copa
do Mundo.
Mas
essa decepção pós-Copa não ocorreu no jogo do Cascavel contra o Marcílio Dias,
no jogo de ida da segunda fase da Série D do Campeonato Brasileiro. Até o técnico
Cesar Bueno afirmou, em entrevista coletiva, que se tratava de um jogo de ‘Copa
do Mundo’ para o clube em virtude da importância da partida.
E
o jogo no Estádio Olímpico Regional teve de tudo, quase um ambiente de Copa do
Mundo. Bola na rede, situações inéditas, goleador histórico brilhando, vibração,
emoção, tensão e até confusão. Isso porque o Cascavel empatou em 2 a 2 com o
time catarinense, no Estádio Olímpico Jacy Scanagatta. Aliás, a Serpente Aurinegra
nunca perdeu para este adversário. Agora, são cinco jogos com duas vitórias e três
empates. Mas esta foi primeira vez que ambos se enfrentaram num duelo eliminatório.
Logo, o empate em casa teve um sentimento de derrota para o Cascavel, já que o
clube esteve na frente do placar duas vezes. E o empate do Marcílio ocorreu no
finzinho da partida. Com isso, o Cascavel terá que buscar uma vitória na
partida de volta em Santa Catarina.
Situações
inéditas
Esta
foi a primeira vez que o Cascavel fez dois gols num jogo de mata-mata da Série
D. Em sete participações na quarta divisão nacional, o clube chegou na segunda
fase pela quinta vez. Até então, o Cascavel havia feito um único golzinho neste
tipo de confronto. E foi no primeiro jogo de mata-mata, quando o Cascavel
venceu o Novorizontino por 1 a 0, no Olímpico, no jogo de ida da segunda fase,
com um gol de pênalti de Paulo Baya.
Contra
o Marcílio Dias, o Cascavel marcou um gol pela primeira vez em duelos
eliminatórios de Série D com bola rolando. Foi do zagueiro Borech. Na verdade,
não foi bem um gol de bola rolando. A melhor definição é um gol com ‘bola em
movimento’. Isso porque, numa jogada área, o zagueiro apareceu para abrir o marcador
no Olímpico. A bola aérea também resultou no gol de empate do Marcílio Dias.
Gol do zagueiro Claudinho, de cabeça.
Mas
com bola parada, o Cascavel voltou a ficar na frente. Golaço de Robinho, em
cobrança de falta. Pelas contas do próprio atleta, foi o gol de número 38 dele
com a camisa do Cascavel em jogos oficiais. Robinho é, de longe, o maior
goleador da história do Cascavel.
Mas
o Marcílio empatou com Gabriel Lyra, com passagem discreta pelo Cascavel: 2 a
2, que deixou o embate em aberto. Quem vencer avança para a terceira fase. Em
caso de um novo empate, a decisão será nos pênaltis. Um detalhe importante: o
Cascavel só terá calendário nacional em 2027 se passar pelo Marcílio e seguir
rumo ao acesso à Série C. Mas, mesmo que o acesso não venha, se chegar na
terceira fase nesta edição da Série D, o time garante a permanência na quarta
divisão nacional no ano que vem.
Tensão
e confusão
A
trajetória do técnico Cesar Bueno no time principal do Cascavel começou justamente
no mata-mata da Série D do Campeonato Brasileiro do ano passado. Após a derrota
para o Barra, no jogo de ida, por 1 a 0, no Olímpico, a diretoria demitiu o
então técnico Tcheco. E Cesar Bueno assumiu o comando da equipe de maneira interina
para o jogo de volta. Apesar da eliminação, ele foi efetivado como treinador da
equipe. Resta saber se ele continuará no comando do Cascavel. Isso porque se
envolveu num bate-boca com o presidente do clube, Valdinei Silva, logo após o
fim da partida, na entrada do túnel do vestiário.
Cesar
Bueno participou da entrevista coletiva e explicou o ocorrido. Segundo ele, foi
cobrado por Valdinei, o que seria plenamente aceitável. Porém, teria sido alvo
de ofensas pessoais e o presidente teria usado palavras de baixo calão contra
ele. Na visão do treinador, esse é o time de assunto que deveria ter sido
tratado no vestiário.
Já
fora do estádio, conversamos com o diretor de futebol do clube, Rudinei
Guimarães. Ele não quis gravar entrevista, mas garantiu que Cesar Bueno segue
como treinador do Cascavel e que o foco é o jogo de volta diante do Marcílio
Dias.