O empate em 2 a 2 entre as seleções do Irã e da Nova Zelândia, válido pelo Grupo G da Copa do Mundo e disputado no Estádio de Los Angeles, ficou em segundo plano após as fortes declarações do comandante iraniano. Em entrevista coletiva concedida logo após o apito final, o técnico Amir Ghalenoei fez um duro desabafo sobre as severas restrições diplomáticas e logísticas impostas à sua delegação devido ao cenário geopolítico internacional.
Em decorrência de embargos e conflitos políticos, a comitiva do Irã está proibida de permanecer em território norte-americano após o encerramento de seus compromissos esportivos oficiais. Ghalenoei classificou as medidas restritivas como um ato de profunda injustiça humanitária, apontando que o elenco é o mais prejudicado do torneio.
“Eu sei o quanto foi difícil para nós estarmos aqui. Quero falar sobre o ponto de vista humano. Nós fomos o time mais agredido na Copa do Mundo, por causa das condições e do efeito que criaram para nós, e isso foi uma injustiça para este time”, protestou o treinador.
O técnico detalhou que o planejamento de aclimatamento dos atletas foi totalmente inviabilizado pela burocracia de fronteira. Devido ao fuso horário e à distância geográfica de mais de dez horas de voo, a comissão técnica solicitou autorização para desembarcar com duas semanas de antecedência, mas o pedido foi negado. Segundo o treinador, houve entraves criados pelas autoridades locais até mesmo para a entrada do grupo dois dias antes da estreia.
Crise geopolítica obriga atletas a retornarem ao México
O pano de fundo da polêmica envolve a escalada de tensões políticas globais entre o Irã, os Estados Unidos e Israel. Diante dos protocolos de segurança nacional adotados pelo governo americano, os jogadores iranianos são escoltados de volta ao México — país que serve de base para o período de preparação técnica da equipe — imediatamente após cumprirem as obrigações de imprensa na zona mista.
O rigor das restrições afetou inclusive a alta cúpula esportiva do país, impedindo que dirigentes da federação iraniana de futebol obtivessem vistos de entrada para acompanhar o Mundial.
O técnico manifestou preocupação com o impacto do vaivém aéreo no rendimento físico dos atletas para o restante da competição. Segundo ele, a obrigatoriedade de embarcar em voos internacionais logo após o desgaste de uma partida de alto nível compromete as janelas de recuperação muscular e a fisioterapia por vários dias.
Agenda do Irã na Copa do Mundo
A seleção do Irã agora corre contra o tempo para minimizar os efeitos do desgaste físico antes de seus próximos compromissos na fase de grupos:
Domingo (21/06), às 16h: Bélgica x Irã – Estádio de Los Angeles
Sábado (27/06), às 00h: Egito x Irã – Estádio de Seattle