Política

Deputados gastam R$ 2 mi em verba pública para impulsionar posts nas redes

12 jul 2026 às 15:57

Os deputados federais brasileiros gastaram mais de R$ 2 milhões em dinheiro público para financiar o impulsionamento de publicações na internet no primeiro semestre deste ano. O montante representa um salto expressivo, sendo quatro vezes maior do que o total registrado ao longo de toda a última eleição. O levantamento, realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo, aponta que, entre janeiro e junho, os 513 parlamentares da Câmara dos Deputados destinaram verbas da cota parlamentar para ampliar o alcance de seus conteúdos nas redes sociais.


A existência da chamada "bancada da selfie" não é recente no Congresso Nacional, e o pagamento a plataformas digitais para expandir a distribuição de postagens é uma prática comum e legalizada. Contudo, a proximidade do pleito acelerou os gastos em 2026. O deputado Bruno Ganem (Podemos-SP) liderou o ranking de despesas: apenas em janeiro, o parlamentar desembolsou mais de R$ 30 mil da cota com divulgação digital. O investimento fez com que uma de suas publicações ultrapassasse 3 milhões de visualizações — número oito vezes maior do que a sua base de seguidores na plataforma.


Outro caso de destaque envolve o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), que investiu R$ 12,8 mil em uma única postagem. O conteúdo também atingiu a marca de 3 milhões de acessos, o que equivale a 14 vezes o seu total de 255 mil seguidores. Especialistas explicam que o pagamento atua como uma "catapulta" para o marketing político. Enquanto a entrega orgânica restringe-se habitualmente aos usuários que já conhecem e seguem o político, o patrocínio fura essa bolha e distribui a mensagem para novos públicos segmentados.


Atualmente, cada deputado custa cerca de R$ 2,5 milhões por ano à Câmara, valor que engloba a verba de gabinete e a cota destinada ao custeio do mandato, incluindo gastos com a divulgação da atividade parlamentar. No segmento das redes sociais, apenas as plataformas da Meta (Instagram e Facebook) aceitam o impulsionamento de conteúdo de cunho político. Apesar de legítimo, o uso do recurso sofre restrições severas em anos de corrida eleitoral para evitar o desequilíbrio na disputa.


O prazo final para a utilização de verba pública na compra de espaço publicitário nas redes sociais encerrou-se no último sábado (4). A partir deste marco regulatório, apenas os parlamentares que decidiram não concorrer à reeleição ou a novos cargos podem continuar impulsionando postagens. Para os que se registraram como candidatos em 2026, pedidos explícitos de voto só estarão liberados a partir do início oficial da campanha eleitoral, em 13 de agosto. Juristas alertam que, mesmo durante o período de campanha, a legislação proíbe terminantemente o uso de dinheiro de gabinete para fins eleitorais diretos, sob o risco de configuração de abuso de poder econômico.

Veja Também