O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (17), que não vai comentar a nova taxa de 25% criada pelos Estados Unidos sobre os produtos vindos do Brasil. O anúncio do silêncio foi feito durante uma agenda pública na Escola Nacional de Saúde Pública (Fiocruz), no Rio de Janeiro.
Lula declarou que vai esperar um posicionamento oficial do presidente americano, Donald Trump, antes de se manifestar publicamente. O petista também alegou que preferia não dar detalhes sobre a disputa comercial naquele momento para manter os holofotes voltados ao anúncio de investimentos e tratamentos do Sistema Único de Saúde (SUS).
O que é o tarifaço americano
O governo dos Estados Unidos confirmou a cobrança extra na noite da última quarta-feira (15). Essa nova taxa de 25% vai se somar a um imposto de 10% que o Brasil já pagava para vender suas mercadorias ao mercado americano.
A lista com todos os itens afetados ainda não saiu, mas o governo de Washington adiantou algumas regras:
Ficam de fora da taxa: O café e a carne bovina;
Estão confirmados na taxa: O etanol (combustível derivado da cana-de-açúcar).
Para justificar a punição, os Estados Unidos acusam o Brasil de prejudicar empresas americanas em setores como comércio na internet, serviços de pagamento e leis de marcas. Eles também alegam problemas com o desmatamento ilegal. O governo brasileiro rebate as acusações e afirma que os dados oficiais mostram uma queda na destruição da Amazônia.
Negociações travadas e risco de mais impostos
As conversas diplomáticas entre os dois países foram dadas por encerradas nesta semana pelas autoridades americanas. O Brasil chegou a sugerir um acordo para baixar o imposto do etanol em troca de vender mais açúcar aos americanos, mas a proposta foi rejeitada pela Casa Branca. Por causa disso, o Palácio do Planalto já estuda aplicar taxas de resposta contra produtos que vêm dos Estados Unidos.
A situação comercial ainda pode piorar nos próximos dias. O governo dos EUA avalia aplicar outra multa, de mais 12,5%, sob a acusação de que o Brasil não fiscaliza adequadamente casos de trabalho forçado. O martelo sobre essa nova cobrança deve ser batido até o dia 24 de julho.