O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como uma atitude de "traidores da Pátria" o documento oficial enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao governo dos Estados Unidos. O parlamentar de oposição solicitou formalmente à Casa Branca o adiamento de sanções econômicas contra o mercado brasileiro.
Nas redes sociais, Lula acusou a família Bolsonaro de praticar "entreguismo" ao sugerir que o aumento das barreiras alfandegárias contra os produtos nacionais seja congelado para depois da eleição presidencial de 2026. O chefe do Executivo afirmou que a soberania nacional é inegociável e defendeu a autonomia do Pix e o fortalecimento do Mercosul.
O pedido de Flávio Bolsonaro aos EUA
A reação do Palácio do Planalto ocorre após Flávio Bolsonaro protocolar uma petição junto ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). O senador pediu a suspensão temporária da taxação de 25% que ameaça incidir sobre as exportações brasileiras.
O parlamentar utilizou os seguintes argumentos no documento:
Efeito político: A aplicação imediata das tarifas daria um palanque político a Lula, permitindo que ele se posicione como defensor da indústria nacional;
Calendário eleitoral: O ideal seria aguardar o pleito de 2026, sob a justificativa de que uma mudança de governo no Brasil reverteria decretos que desagradam o mercado americano;
Exceções: Caso as sanções avancem agora, os EUA deveriam poupar produtos estratégicos como o aço, a celulose e as aeronaves da Embraer para proteger investidores.
A resposta técnica do Itamaraty
Em paralelo ao embate político, o Ministério das Relações Exteriores enviou a Washington uma defesa técnica de 29 páginas para contestar o avanço do chamado "tarifaço". O governo brasileiro nega a prática de comércio injusto e baseia a argumentação em três eixos:
Inclusão Digital: O Pix é uma ferramenta de democratização bancária e não configura monopólio contra empresas estrangeiras;
Combate à Corrupção: O País mantém cooperação internacional ativa com agências americanas contra crimes transnacionais;
Pauta Ambiental: O Brasil registrou aumento de 87,6% no orçamento de fiscalização ambiental, reduzindo os índices de desmatamento nos últimos três anos.