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Marina Silva volta a ser insultada por deputado federal e se diz 'terrivelmente agredida'

Parlamentar Evair Vieira de Melo (PP-ES) voltou a dizer que ela é 'adestrada' e que usa estratégia das Farc
02 jul 2025 às 15:53
Por: Estadão Conteúdo
Foto: Lula Marques / Agência Brasil

Depois de ser atacada e abandonar audiência pública no Senado Federal em maio, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi novamente alvo de ofensas em sessão da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 2. Em resposta, Marina disse que se sentiu "terrivelmente agredida" e que pediu "muita calma" em oração a Deus.


O deputado federal Evair Vieira de Melo (PP-ES) voltou a dizer que ela é "adestrada" e que usa a mesma estratégica de retórica das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e dos grupos terroristas palestino Hamas e libanês Hezbollah.


"Usei a expressão adestramento numa sessão passada, e não foi uma ofensa pessoal, porque repetições que busca resultado é adestramento", disse Evair. "Esse modus operandi da ministra não é algo isolado. A estratégia dela é a mesma que as Farcs colombianas usam, que o Hamas, Hezbollah usam."


Marina disse que o que acontecia naquela sessão era algo "num nível piorado" em comparação ao que aconteceu no Senado. "Depois do que aconteceu ali (no Senado), as pessoas iam achar muito normal fazer o que está acontecendo aqui num nível piorado", afirmou Marina. "Fui terrivelmente agredida."

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No Senado, em maio, Marina abandonou audiência pública após uma série de discussões com parlamentares da oposição. Na Câmara, desta vez, a ministra veio sob condição de convocação (o que a obriga a comparecer) para prestar esclarecimentos sobre o apoio ao acampamento Terra Livre, sobre o aumento das queimadas e do desmatamento na Amazônia; e sobre o impacto ambiental da realização da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém.


Durante a audiência a ministra defendeu a participação no Acampamento Terra Livre, em abril, e que saiu no meio da marcha dos indígenas, e disse que a construção de uma rodovia em função da COP-30 é de responsabilidade do Estado do Pará e não do governo federal.


Novamente, parlamentares da oposição trocaram ofensas. O presidente do colegiado, Rodolfo Nogueira (PL-MS), disse que a ministra age "como se fosse a paladina da sustentabilidade" - governistas disseram que deputados da oposição agiram com desrespeito.


Evair Vieira de Melo criticou a condução da política ambiental por parte de Marina Silva, dizendo, entre outras coisas, que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) age como uma indústria da multa e criticou os números de desmatamento.


A ministra disse estar "em paz" depois de fazer uma oração a Deus antes da sessão pedindo calma. "Estou muito tranquila com a minha consciência. Em termo de defesa do meio ambiente, que Deus julgue entre eu e vossa excelência e dê seu veredito", disse Marina a Evair.


Em outubro 2024, como presidente da Comissão da Agricultura, o mesmo Evair disse que a ministra foi "adestrada" para comparecer à reunião do colegiado. "Quem é que é adestrado? Tenha santa paciência. O senhor não vai me dizer que sou uma pessoa adestrada", respondeu a ministra naquele momento.


Durante a sessão desta terça-feira, Evair falou, em diferentes momentos, para Marina consultar seus assessores sobre dados de impactos da política do governo.


"Vocês dizem: 'Ah, ministra, peça para seus assessores ver os dados e ajudar a interpretar'. Eu entendo tudo que está codificado nessas falas. Tem muito preconceito, tem racismo, tem machismo, tem tudo", respondeu.


Marina voltou a afirmar que os deputados de oposição estavam sendo machistas. Quando defendia servidores do Ibama, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) gritou "calma, ministra". Ela respondeu.


"Olha, isso não é uma forma de se dirigir a uma mulher. Quando vocês (homens) levantam a voz, dizem que estão sendo incisivos, contundentes. Quando uma mulher fala com firmeza", dizia a ministra, até ser novamente interrompida e não conseguir concluir o raciocínio. Para a ministra, a postura dela não é "show, é defesa da dignidade".

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