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Moraes dá 24h para defesa de Bolsonaro explicar vídeo de Eduardo nos EUA

A prisão domiciliar impõe isolamento digital e de comunicação do ex-presidente, que está proibido de utilizar celulares, telefones ou qualquer outro meio de comunicação externa
30 mar 2026 às 13:04
Por: Band
Reprodução X

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes deu 24h para que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro conceda explicações sobre o vídeo em que o seu filho, Eduardo Bolsonaro, aparece em um evento nos Estados Unidos afirmando que está gravando um vídeo para mostrar ao pai – atitude que fere as medidas impostas por Moraes ao conceder prisão domiciliar ao ex-presidente


“Vocês sabem por que estou fazendo esse vídeo? Porque estou mostrando isso para o meu pai e vou mostrar para todo mundo no Brasil que você não pode acabar com um movimento prendendo injustamente o líder desse movimento, Jair Messias Bolsonaro”, disse Eduardo em uma conferência conservadora norte-americana. 


Na decisão, expedida no domingo (29), Moraes pede que os advogados de Bolsonaro prestem esclarecimentos à Suprema Corte sobre a postagem, e afirma: “o descumprimento das regras da prisão domiciliar humanitária temporária ou de qualquer das medidas cautelares implicará na sua revogação e ao retorno imediato ao regime fechado ou, se necessário for, ao hospital penitenciário. 

Prisão domiciliar

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, na tarde desta terça-feira (24) que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja transferido para a prisão domiciliar após passar quatro meses preso em penitenciária federal. A decisão, fundamentada nos artigos 21 e 341 do Regimento Interno do STF, estabelece um prazo inicial de 90 dias para o cumprimento da medida, contados a partir da data de alta hospitalar do ex-presidente.


A manifestação da PGR, enviada nesta segunda-feira (23), foi favorável à alteração no regime de custódia devido aos problemas de saúde enfrentados pelo ex-presidente, que permanece internado no hospital DF Star, em Brasília, para o tratamento de uma pneumonia bacteriana bilateral.

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Condições e monitoramento eletrônico

Para usufruir do benefício, Bolsonaro deverá cumprir uma série de medidas cautelares rigorosas. O ex-presidente será monitorado por tornozeleira eletrônica e o raio de inclusão será limitado estritamente ao seu endereço residencial.


A fiscalização da prisão domiciliar ficará sob responsabilidade do Comando da Papudinha, que deverá monitorar o cumprimento das medidas e produzir relatórios semanais sobre a custódia. A decisão de Moraes também veta, de forma expressa, a realização de acampamentos ou manifestações em um raio de um quilômetro de distância da residência do ex-presidente.

Restrições de comunicação e visitas

A decisão impõe isolamento digital e de comunicação ao ex-presidente, que está proibido de utilizar celulares, telefones ou qualquer outro meio de comunicação externa, seja diretamente ou por terceiros. Também está vetado o uso de redes sociais e a gravação de vídeos ou áudios.


Quanto às visitas, o ministro determinou suspensão de 90 dias e autorizou apenas a presença permanente dos filhos - Flávio, Carlos e Jair Renan - mas com restrições de horários. Os encontros devem ocorrer às quartas-feiras e sábados, em janelas específicas entre 8h e 16h. Visitantes deverão passar por vistoria prévia e depositar aparelhos eletrônicos com os agentes policiais responsáveis pela segurança no local.


Por outro lado, o ministro autorizou que os seguranças pessoais de Bolsonaro, direito previsto em lei para ex-mandatários, retomem suas atividades regulares. Os agentes poderão acompanhar o custodiado durante o período de recuperação domiciliar, respeitando as normas de segurança e as restrições de comunicação impostas pela Justiça.

Quadro clínico e fisioterapia

Enquanto a transferência não ocorre, Bolsonaro permanece internado no hospital DF Star, em Brasília. O último boletim médico indica que o paciente segue com suporte clínico e realiza sessões de fisioterapia respiratória e motora.


O ex-presidente faz uso de antibioticoterapia endovenosa para tratar a infecção decorrente de um episódio de broncoaspiração. Embora tenha apresentado melhora clínica que permitiu a saída da UTI na última segunda-feira (23), ainda não existe previsão para que ele receba alta hospitalar e dê início ao cumprimento da prisão domiciliar.

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