Campo Vivo

Profissionalização eleva o valor do queijo artesanal da Mantiqueira

12 jul 2026 às 15:18

As queijarias da Região da Mantiqueira vêm colecionando premiações expressivas nas últimas semanas, mas o reconhecimento internacional não acontece por acaso. Por trás das medalhas, há um sólido trabalho de investimento financeiro, gestão de negócios e capacitação do produtor, engajando uma ampla rede de suporte técnico para transformar o perfil da atividade leiteira local.


A excelência do produto final começa muito antes da entrada do leite na queijaria. No sítio Mancilha & Vilela, localizado no município de Pouso Alto (MG), o principal foco dos investimentos está concentrado no curral, tendo o melhoramento genético e o bem-estar animal como pilares. 


Na propriedade, as vacas passam por uma rotina minuciosa que inclui banhos relaxantes antes da ordenha, troca diária de camas, higienização rigorosa do ambiente, alimentação renovada duas vezes ao dia e o uso contínuo de ventiladores para mitigar o estresse térmico. Como resultado direto desse manejo, um único lote da fazenda atinge a marca de 200 litros de leite diários, registrando o recorde local de 107 litros produzidos por um único animal em apenas duas ordenhas.


Agregação de valor e independência


A transformação do leite em queijo artesanal alterou drasticamente a realidade financeira do produtor. No mercado tradicional, o volume de 10 a 12 litros de leite — quantidade necessária para fabricar um quilo de queijo — rende ao pecuarista entre R$ 20,00 e R$ 30,00. Quando processado e comercializado como queijo artesanal, esse mesmo volume passa a ser vendido por valores que variam de R$ 75,00 a R$ 150,00. Ao agregar valor à matéria-prima, o produtor amplia a vida útil de comercialização do seu estoque e reduz drasticamente a histórica dependência de atravessadores.


Essa evolução foi impulsionada por parcerias estratégicas com entidades como o SEBRAE e o SENAR, cujo programa de Assistência Técnica e Gerencial realiza diagnósticos mensais e individualizados nas propriedades. Os técnicos atuam em duas frentes indissociáveis: a evolução dos parâmetros de qualidade dentro da porteira e a estruturação comercial do negócio. O foco gerencial ensina o produtor a calcular na ponta do lápis o custo de produção, o preço ideal de venda e as projeções de margem líquida e lucro em contratos de assistência de médio prazo.


Nova relação com a fiscalização


O avanço da profissionalização no campo também tem gerado impactos positivos fora das propriedades, transformando a relação entre os produtores e os órgãos de controle. O contato frequente e a observação das boas práticas agrícolas sensibilizaram os profissionais de vigilância. Antigos auditores fiscais relatam que a vivência prática demonstra a total capacidade de pequenos estabelecimentos familiares produzirem alimentos seguros e de excelência mercadológica, operando com rigor sanitário mesmo sem a infraestrutura pesada das grandes indústrias lácteas.


A força da Mantiqueira consolidou-se na preservação de sua identidade. O grande trunfo econômico e cultural do território reside na capacidade de expandir suas margens e evoluir tecnicamente todos os dias, mantendo intacta a sua valiosa essência artesanal.

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