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TecnoCampo de Inverno reúne produtores para debater os desafios da entressafra

12 jul 2026 às 14:58

Os tradicionais dias de campo têm ganhado forte expressão nesta época do ano, consolidando-se como ferramentas essenciais para levar informação técnica e estratégica diretamente ao produtor rural. Como exemplo desse movimento, a cidade de Maringá sediou o TecnoCampo de Inverno, evento promovido pelo Grupo Campos Verdes em sua unidade de difusão de tecnologia. O encontro reuniu especialistas e agricultores com o objetivo de discutir dinâmicas práticas de manejo, biotecnologia e os principais desafios enfrentados durante o período de entressafra.


Nesta edição, as áreas demonstrativas foram divididas em três frentes principais de cultivo de inverno da região: talhões de rotação de culturas (voltados para a cobertura morta do solo, sem fins econômicos diretos), trigo e milho safrinha (segunda safra). Apesar de um início de ciclo considerado desafiador para o estabelecimento do milho, o comportamento atual das lavouras superou as expectativas. De acordo com os organizadores, a resposta do milharal foi excepcional após o retorno das chuvas, permitindo que os produtores validem o desempenho dos híbridos diretamente no campo.


O grande diferencial produtivo observado nas parcelas foi o impacto da diversificação de culturas. Lavouras cultivadas em solos que receberam investimentos em rotação — prática defendida há 30 anos no campo experimental pelo especialista Moacir Ferro — apresentaram desenvolvimento vegetal e estrutura muito superiores às áreas de monocultura ou sucessão simples. Mesmo com o atraso inicial das chuvas, o solo manejado de forma correta garantiu que a planta do milho se recuperasse a tempo de encher o grão, o que deve se traduzir em um excelente peso de grão na colheita agendada para começar a partir de meados de julho.


O gargalo da matocompetição


Além dos índices de produtividade, o manejo fitossanitário foi um dos temas centrais nos debates técnicos. O consultor Fabrício Krzyzaniak ministrou uma palestra prática alertando os produtores sobre o avanço das plantas daninhas resistentes. Especialistas ressaltaram que o solo descoberto no inverno funciona como um multiplicador para essas pragas, que se adaptam rapidamente a cada ano. Um caso crítico citado na região de Maringá é o do capim-pé-de-galinha, uma espécie que era considerada irrelevante há dois anos e que hoje já desponta como uma das principais ameaças às lavouras locais.


O alerta final dos técnicos reforçou a necessidade de constante atualização diante da constante evolução biológica do campo. A estimativa apresentada mostra que um produtor despreparado pode perder entre 200, 500 e até 1.000 quilos por hectare em virtude da matocompetição na entressafra — um prejuízo severo capaz de anular completamente a margem de lucro da propriedade. 


Para os agricultores veteranos presentes, embora a tecnologia tenha tornado a rotina no campo mais fácil e controlável se comparada a décadas passadas, acompanhar a ciclogia anual e participar de orientações técnicas continuam sendo os caminhos mais seguros para blindar a rentabilidade do negócio.

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