A Festa Junina é muito aguardada por muitos brasileiros que adoram aproveitar as danças, músicas, roupas e principalmente a comida. Mas, além de todos esses elementos, a história do São João é cercada por curiosidades, regionalismo de outros países e muitas histórias interessantes. No Vitrine Revista de hoje, a historiadora Eliane Candoti explica mais sobre a origem da festa.
Antes de se tornarem cristãs, essas festividades eram celebradas por povos antigos na Europa. A especialista explica que elas aconteciam durante a transição das estações, da primavera para o verão no hemisfério norte, como uma forma de agradecer e saudar o sol em regiões onde a maior parte do ano é fria e nublada.
Com a expansão do Cristianismo, a Igreja incorporou as celebrações, dedicando-as a São João — daí o nome original “festa joanina” — em homenagem a Portugal e cidades como Porto e Coimbra, onde a tradição é fortíssima. Já no Brasil, a tradição englobou os três principais santos: Santo Antônio, São João e São Pedro.
Quando os jesuítas portugueses trouxeram a festa para catequizar os povos nativos, os indígenas — que já usavam o fogo em suas próprias celebrações — incorporaram a fogueira e trouxeram alimentos da terra abundantes nessa época do ano, como o milho, o amendoim e a mandioca. Comunidades de matriz africana também somaram seus costumes e culinária, consolidando a festa como um grande mosaico cultural.
A historiadora explica que a tradicional dança da quadrilha, que ao chegar ao Brasil recebeu adaptações, na verdade tem origem nos salões aristocráticos da França. Os passos com comandos ordenados em pares — homens de um lado, mulheres de outro — e termos como “Anarriê”, derivado do francês en arrière, que significa “para trás”, são heranças diretas dessa influência europeia adaptada.