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Chuvas em SP e PR ameaçam qualidade da safra de café, diz Cepea

Umidade excessiva eleva risco de fermentação indesejada dos grãos no norte paranaense e dificulta entrada de máquinas na região de Marília (SP).
29 mai 2026 às 16:33
Por: Band
Freepik

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) avalia que as chuvas recentes registradas nos estados de São Paulo e do Paraná podem comprometer a qualidade de parte da safra atual de café, além de dificultar o ritmo dos trabalhos de campo nestas regiões. Segundo análise técnica da instituição, as precipitações elevam consideravelmente o risco de perdas na produção, especialmente no norte paranaense, onde os trabalhos de colheita enfrentam gargalos logísticos devido à instabilidade do clima nesta sexta-feira (29 de maio de 2026).


No Paraná, produtores locais já relatam uma pequena perda na classificação física e sensorial dos grãos. O excesso de umidade é um fator crítico para a cafeicultura de qualidade, pois pode provocar a fermentação indesejada dos frutos ainda no pé ou nas linhas de recolhimento, alterando o sabor da bebida e reduzindo o valor de mercado do produto final.


A situação no interior paulista, especificamente no cinturão produtor da região de Marília, também desperta o alerta de especialistas e agricultores. O principal receio é que as chuvas atinjam os grãos que já estão caídos ao solo — processo conhecido como café de chão, que ocorre naturalmente ou durante o início do estalejo da colheita.


Quando o grão maduro entra em contato direto com a terra úmida, há um aumento drástico na proliferação de fungos e na consequente deterioração da carga. Além disso, o solo encharcado impede o tráfego de maquinários e dificulta a colheita mecanizada, o que atrasa o cronograma planejado pelas fazendas e eleva o custo operacional da safra com combustível e diárias de campo.


Contraste positivo no principal polo produtor


Diferente do cenário observado no Paraná e em São Paulo, o sul de Minas Gerais apresenta um quadro de maior tranquilidade e otimismo. A região é reconhecida globalmente como o principal polo produtor de café arábica do país, variedade valorizada pelo sabor mais suave, aroma intenso e maior valor comercial nas bolsas internacionais.

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De acordo com o levantamento agrometeorológico do Cepea, a previsão do tempo para a região mineira indica menor incidência de frentes frias e menos chuvas para os próximos dias. Até o momento, não há expectativa de danos relevantes à safra local, garantindo a manutenção da qualidade do produto tipo exportação que abastece tanto as torrefações do mercado interno quanto os portos de escoamento.

A estabilidade nas lavouras de Minas Gerais é considerada fundamental para o equilíbrio dos preços das commodities agrícolas. Como o café é um dos principais itens da balança comercial e da pauta exportadora do Brasil, qualquer oscilação significativa na produção mineira gera impactos imediatos e especulação nas cotações internacionais na Bolsa de Nova York (ICE Futures US).


Expectativa de estabilização do mercado


Apesar dos problemas climáticos pontuais enfrentados no eixo paulista-paranaense, a expectativa geral do setor produtivo é de que as condições meteorológicas comecem a se estabilizar nas próximas semanas. Uma trégua nas precipitações é considerada urgente para que as frentes de trabalho consigam retomar a agilidade e o rendimento operacional nas fazendas de café.


A normalização do clima deve minimizar eventuais impactos negativos na rentabilidade do produtor e evitar que o volume total da estimativa da safra brasileira sofra cortes significativos. O mercado global de café monitora de perto o comportamento das frentes frias e o risco de geadas precoces, uma vez que o padrão de qualidade do grão é o principal diferencial competitivo do Brasil no mercado internacional.


O acompanhamento técnico contínuo e os levantamentos de órgãos como o Cepea e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) permanecem essenciais neste período, orientando o cafeicultor sobre o momento exato para as intervenções de manejo e secagem durante esta janela de instabilidade atmosférica.

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