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El Niño pode pressionar preço da soja e elevar risco climático

Fenômeno climático favorece produtividade nos Estados Unidos, mas mercado monitora impacto das chuvas na safra brasileira 2026/27
01 jun 2026 às 16:37
Por: Band
Foto: Divulgação/Verdera

Com o plantio da safra 2026/27 dos Estados Unidos em andamento, o setor produtivo global acompanha os efeitos do Super El Niño, previsto para este mês no Hemisfério Sul, sobre a produtividade e o comportamento dos preços das commodities. Segundo análise da Biond Agro, o fenômeno climático tende a favorecer a produção norte-americana no curto prazo, mas amplia os riscos para a safra brasileira nos próximos meses.


Historicamente, em anos de El Niño forte, como deve ser em 2026, os Estados Unidos registram um ganho de 123% na produtividade. Em contrapartida, o Brasil apresenta um cenário inverso, com queda média de 9% no rendimento das lavouras. A analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, Isabella Pliego, destaca que o mercado monitora o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, especialmente durante as fases de floração e enchimento de grãos.


 Se o clima colaborar para uma safra recorde no país norte-americano, a tendência é de pressão negativa sobre as cotações na Bolsa de Chicago. No entanto, a atenção deve se voltar para o Brasil a partir do segundo semestre, quando inicia o plantio da soja, normalmente em meados de setembro, após o fim do vazio sanitário. "Se o Mato Grosso for muito afetado por atraso ou irregularidade das chuvas, isso pode virar um fator altista para as cotações", afirma Isabella. O estado é considerado a principal janela de exportação brasileira para o mercado global.


Riscos para a safra brasileira 2026/27 O principal risco para os produtores brasileiros está na distribuição irregular das chuvas entre setembro e outubro. Enquanto a região Sul pode registrar maior umidade, áreas do Mato Grosso, Matopiba e parte do Centro-Oeste podem enfrentar veranicos — períodos de estiagem acompanhados de calor intenso durante a estação chuvosa. 


Caso o risco climático se confirme para o Brasil, o mercado tende a aplicar um "prêmio climático" sobre os preços. Esse termo técnico refere-se a uma valorização adicional nas cotações para compensar a incerteza quanto à oferta final do produto. Na Argentina, o cenário projetado é mais otimista. Um El Niño forte costuma elevar a umidade no país vizinho entre outubro e dezembro, auxiliando na recuperação produtiva tanto da soja quanto do milho.

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