O mercado citrícola global enfrenta uma projeção de queda de aproximadamente 13% na oferta mundial de suco de laranja no ciclo atual (2026/27). O recuo é puxado principalmente pela estimativa de quebra de safra no estado de São Paulo, o principal polo da atividade no Brasil e maior fornecedor do planeta.
De acordo com dados analisados pelo Rabobank, a menor disponibilidade da fruta decorre diretamente de adversidades climáticas severas e do avanço persistente do greening. A doença bacteriana destrói a produtividade dos pomares e tem forçado a migração da citricultura para novas regiões geográficas menos afetadas.
O paradoxo dos preços internacionais
Apesar do cenário de escassez, que tradicionalmente elevaria as cotações, o banco aponta que os preços do suco de laranja continuam enfrentando pressão negativa no mercado internacional. O fenômeno atinge tanto o suco concentrado congelado (FCOJ) quanto o suco fresco (NFC).
A explicação para o paradoxo está na combinação de uma demanda global enfraquecida com estoques internacionais ainda elevados. O consumidor final no exterior reduziu o consumo da bebida após sucessivos aumentos de preços acumulados anteriormente nas prateleiras dos supermercados, impedindo uma reação nos preços da commodity neste momento.
Custos de produção elevados na porteira
O manejo das plantações exige atenção sanitária rigorosa do produtor. O combate ao inseto vetor do greening demanda monitoramento constante e aplicações defensivas cirúrgicas para evitar a perda total das árvores, o que eleva substancialmente os custos operacionais das propriedades.
Além da pressão fitossanitária, a volatilidade no mercado global de fertilizantes adiciona mais um ponto de atenção no orçamento dos pomares. O citricultor precisa calcular com precisão a aplicação de insumos importados para não inviabilizar a rentabilidade do ciclo.