Agro

Seca acende alerta para risco de incêndios no campo

08 jul 2026 às 13:09

Com a chegada do período de estiagem e seca, o setor produtivo brasileiro volta a enfrentar o risco de incêndios em áreas rurais. Nos últimos anos, as queimadas sem controle provocaram perdas financeiras severas ao agronegócio nacional, além de resultar em sanções administrativas e multas aplicadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) a produtores que descumprem as normas de prevenção.


O histórico recente do país aponta para a gravidade do cenário. No ano de 2020, o território nacional registrou 30 milhões de hectares destruídos pelo fogo — um volume 62% acima da média histórica. Na época, pequenos e grandes produtores rurais relataram danos estruturais graves. Na região administrativa de São Sebastião, no Distrito Federal, o fogo destruiu cerca de 40 pequenas propriedades, consumindo criações de animais, pastagens e maquinários.


Com a vegetação seca e o capim amarelado servindo de combustível natural, o fogo propaga-se com rapidez, destruindo cercas, currais e atingindo as copas das árvores. Para conter o avanço inicial dos focos, agricultores costumam utilizar tratores próprios na tentativa de salvar lavouras, equipamentos e sedes de fazendas.


Uso de aceiros e apoio de aeronaves


Como medida de prevenção recomendada por engenheiros agrônomos, muitos proprietários adotam a técnica do aceiro. O procedimento consiste na abertura de corredores de terra completamente limpa, sem vegetação, o que impede a continuidade e a propagação do fogo para áreas adjacentes. Esse trabalho de manejo é realizado de forma estratégica no início do inverno e nas faixas limítrofes das propriedades.


No município de Jataí (GO), considerado uma das regiões agrícolas mais afetadas pela estiagem no Centro-Oeste, o sindicato rural local organizou planos de contingência. Em situações de emergência, os produtores acionam empresas privadas de aviação agrícola licenciadas para realizar o combate aéreo aos focos de calor na vegetação.


Prejuízos bilionários e fiscalização


A urgência nas ações de prevenção é justificada pelas estatísticas do mercado financeiro do campo. Segundo estimativas divulgadas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os prejuízos econômicos acumulados pelo agronegócio com os incêndios atingiram a cifra de R$ 15 bilhões em 2024.


Diante da reincidência dos episódios, o Ibama intensificou as ações de monitoramento e fiscalização. O órgão ambiental do governo federal está emitindo notificações formais para proprietários de terras localizadas em perímetros de risco, exigindo comprovação de medidas preventivas e planos de resposta rápida para enfrentar a atual temporada de queimadas.

Veja Também