Um casal de pastores foi indiciado por suspeita de abusar sexualmente de seis adolescentes e usar argumentos religiosos para manipular as vítimas em Boa Vista.
Wenderson Lima de Souza e Arielly Kamila Moraes de Souza foram indiciados ontem. A igreja em que eles eram pastores funcionava no bairro de Cinturão Verde.
Seis vítimas, com idades de 12 a 17 anos, foram identificadas no inquérito. Segundo a investigação, os suspeitos diziam que os atos sexuais faziam parte de um propósito espiritual e ofereciam transferências e jantares para manter o silêncio delas
Os processos correm em sigilo de Justiça e o UOL não conseguiu acesso às defesas dos suspeitos até o momento. A reportagem buscou o Tribunal de Justiça de Roraima para saber se os nomes dos advogados da dupla constam no sistema judicial. O espaço será atualizado se houver posicionamento.
A igreja onde os crimes teriam acontecido desativou as redes sociais e também não retornou aos pedidos de posicionamento da reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.
Wenderson é investigado por estupro de vulnerável e outros seis crimes. Ele também deve responder por importunação sexual, favorecimento da exploração sexual de adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica.
Já Arielly foi indiciada por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. Além deles, uma jovem de 20 anos que não teve a identidade divulgada foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores por ajudar a destruir um celular a pedido do pastor.
A investigação começou em abril, após a denúncia de uma adolescente de 14 anos. Outras cinco vítimas relataram abusos posteriormente, e a hipótese da polícia é de que haja outras vítimas.
Investigação aponta que Arielly se aproximava das vítimas, enquanto Wenderson usava a posição de líder religioso e interpretações bíblicas para convencê-las. A polícia classificou os estupros como "fruto de uma cadeia sistemática de manipulação, abuso de autoridade religiosa, chantagem e coerção psicológica"
Wenderson também teria tentado eliminar provas guardadas em um celular. Segundo a polícia, ele pediu a uma jovem de 20 anos que destruísse o aparelho com ajuda de uma adolescente e de uma vítima, além de orientar o falso registro do desaparecimento do telefone. Essa mulher também foi indiciada.